O planeta começa a se defender dos abusos provocados pelo próprio homem. Temas como mudanças climáticas e aquecimento global precisam ser amplamente discutidos. Se não houver o comprometimento da sociedade, em todas as suas instâncias, vivenciaremos situações mais calamitosas. O momento exige que tenhamos uma postura mais inteligente, voltada ao conceito de sustentabilidade econômica, que possa abrir novas modalidades de desenvolvimento; se não for assim, poucas pessoas sobreviverão à fúria da natureza. Será que conseguiremos chegar a algum lugar? “Presumimos que nossos próprios avanços no terreno da objetividade são passos em um caminho que se estende além deles e além de todas as nossas capacidades. Mas, mesmo admitindo que não há restrição de tempo nem um número limitado de gerações para dar todos os passos sucessivos que pretendemos, o processo de ampliar a objetividade jamais se completará, jamais alcançará a onisciência”, diz o professor de direito da Universidade de Nova York, Thomas Nagel no seu livro “Visão a Partir de Lugar Nenhum” [Editora Martins Fontes]. Ao que parece os objetivos, agrupados em conceitos culturais e políticos, estão voltados aos interesses materiais, cinicamente apresentados por muitos [como jargão] de crescimento social. Esse é um dos pontos apresentados por Nagel, o homem vive na ilusão de se contentar com um aparente poder, inútil dentro do ciclo das demandas do mundo contemporâneo, para molestar e destruir o que está em sua volta. Dar de ombros aos problemas ambientais alimenta a desqualificação do comprometimento ecológico. Se no passado era uma bandeira de um partido só, no presente a expressão 'meio ambiente' se transforma numa causa coletiva, que não tem dono. Sua ideologia deve ser pela busca de uma resposta: teremos tempo para salvar o planeta?
Recentemente foi lançado no Brasil o livro 'Cultura da convergência', do professor americano Henry Jenkins. Teórico de mídia, esse especialista vê um cenário positivo no futuro da informação. Segundo ele, é possível aliar todas as tendências tecnológicas para estimular o desenvolvimento cultural do ser humano. “Hoje os jovens aprendem mitologia ao interagirem, por exemplo, com um jogo de video game”. Sobre os caminhos da jornalismo, Jenkins explica que há um cenário interessante com a criação de blogs e mídias alternativas. “O jornalismo no futuro também terá que interagir com o leitor. Se não for assim, ele será opaco”, explica o professor. As pessoas hoje vivem num mundo das multiplicidades, como descreve Henry Jenkins no seu livro. “Estamos na prática da remixagem do fatos. Mas até onde isso pode servir como modelo de transformação coletiva? Muitas perguntas são elaboradas nesse sentido, o que possibilita questionar a veracidade do conteúdo da notícia”. No Brasil, onde os importantes jornais têm tiragens “pequenas”, há especialistas em comunicação que querem construir um formato jornalístico mais instigante, com uma estética mais moderna. Objetivo dessa proposta: aumentar o número de leitores. Para se ter uma idéia do que acontece por aqui, a Folha de São Paulo publica aproximadamente 350 mil exemplares por dia – no Japão, país altamente tecnológico, há jornais diários que lançam 1 milhão de exemplares. Mas qual seria a resposta certa para essa mudança? Na semana passada aconteceu o seminário “O Jornal de Amanhã” [promovido pelo Centro de Pesquisa e Documentação da Fundação Getúlio Vargas]. O encontro foi no Rio de Janeiro e contou com a presença dos representantes do jornal O Globo, Estado de São Paulo, O Dia e teóricos da comunicação. O seminário procurou avaliar os caminhos que precisam ser tomados na construção de um jornalismo mais interativo. Segundo o cientista político e sociólogo Fernando Lattman-Weltman, da Fundação Getúlio Vargas, a imprensa escrita sobreviverá à revolução da internet se souber aproveitar o que chamou de “grande capital político” da mídia impressa. O pesquisador declarou tender a achar que, como toda revolução tecnológica da história da imprensa nos últimos 250 anos, a mudança implica, ao lado dos riscos, oportunidades, mas reconheceu que a forma atual dos jornais poderá mudar. Outra avaliação feita pelo especialista é que a internet não tem como competir com a mídia impressa tradicional – que tem perdido público para os meios digitais – no campo da informação com credibilidade. Na opinião do sociólogo Fernando Lattman, o fato de a imprensa escrita, por restrições de espaço, precisa ser mais seletiva, submetendo as informações ao processo de escolha e edição, ajuda a reforçar o seu prestígio. Essa tese, felizmente, alimenta a possibilidade da sobrevivência da imprensa escrita. Esse é um bom sinal. Mas não podemos perder de vista as idéias do professor americano Henry Jenkins, de criar uma formatação mais estética na apresentação da notícia.
Contraponto
Por Luiz Penna
A crise econômica, que permeia nossas cabeças nesses tempos incertos, forçou a me desprender dos emaranhados conceitos apresentados pelos tecnocratas do mercado mundial, para fazer valer de algumas proposições apresentadas há séculos por ilustres pensadores. São concepções, no mínimo, revigorantes. Recentemente reli o livro “As origens da dialéctica materialista”, de Théodor Kessidi, que traz informações preciosas de alguns filósofos, um deles Heraclito. O pensador dizia que a vida do universo está em perpétuo combate, em constante transformação. Isso, de alguma maneira, formulou “a idéia do caráter relativo das propriedades das coisas e das representações dos homens sobre esta”, explica Kessidi, na página 11. Na atualidade esse é um tema que continua imutável, principalmente quando entramos nas “subjetividades” do efêmero. Nós estamos condicionados a pensar, egoisticamente, que os objetos do mundo nos pertencem. Ledo engano. Somos seres temporários. O universo continua sua batalha. Nós não. Essa deficiência nos afasta completamente de um raciocínio mais solidário, cooperativo, [que possa estar centrado na ciência, na arte e na filosofia] para se chegar a um amplo desenvolvimento industrial e comercial, sem que se perca o espírito da troca. Não adianta vivermos a “plenitude” de um mundo tecnológico, se falta o essencial: a elaboração de uma cultura humanística, onde a ética e moral tenham suas participações ativas na conjugação de ações sociais mais concretas. Como nos “extraviamos” de ser um país mais capacitado, inteletualmente poderoso, abrimos espaços forjados de “criatividade”, amparados num caldo grotesco de resultados medíocres. Isso em várias áreas. Por exemplo, a linguagem enunciada nos meios de comunicação de massa é falha; assim como a nossa produção cultural. O que ouvimos, assistimos ou lemos no dia-a-dia, parecem simulacros. Não há novidades. Nos iludimos que elas existem. Assim tudo fica fácil. Para melhorar esse cenário precisamos investir no contraponto; ele, nos seus embates, ajudaria a desconstruir a ignorância – que mantém ainda, em pleno século 21, seus sustentáculos de derrota e desprezo pelo desenvolvimento social. Talvez desta maneira iniciaríamos um pensamento holístico mais verdadeiro, essencialmente voltado para uma educação comprometida com o aprimoramento humano, tendo como meta a construção de um mundo sustentável e menos falso.
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