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terça-feira, 24 de maio de 2016

Michel Temer é pior que Washington Luis






Novamente o governo federal se sucumbe pela falta de informação. Ao apresentar as suas medidas para "reduzir os gastos públicos e iniciar a retomada econômica do país", nota-se, como sempre, uma viciada linguagem tecnocrática, encapsulada por teorias ultrapassadas e veneradas como certas, por mentes, que, sem qualquer erro de cálculo, lembram os senhores de engenho.

Percebe-se, nos olhares dos "ilustres ducados", e, principalmente, no de Michel Temer, uma enganação sendo produzida para atender alguns interesses, diga-se, de um mercado fisiologicamente conservador.

Esse plano, arquitetado pelos auxiliares do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, faz lembrar muitos episódios da história brasileira, obviamente com outras narrativas, mas, que se entrelaça por conveniências de grupos econômicos fechados, que não possuem qualquer relação com as atuais demandas planetárias. É um projeto que não vislumbra o desenvolvimento social.

Os argumentos teóricos expostos até agora, na sua conceituação, são temperados por gotículas de fascismo e autoritarismo. Completamente desconectado com a realidade coletiva, Michel Temer é a extensão de algo menor, sem brilho e, sobretudo, sem cultura cooperativa; aliás, esse termo cooperativismo, não faz parte do seu vocabulário.

Passados alguns dias, desde a sua posse como presidente interino, sinto que Temer é pior que Washington Luis (1869-1957), que presidiu o país de 1926 a 1930.
Conhecido como Seu Lulu, o último presidente da República Velha, era advogado, promotor e jornalista. A atriz francesa Gabriele Dorziat dizia que ele tinha os olhos "mais lindos do mundo".

Era um presidente que adorava a boêmia e o carnaval, mas, com todas as suas façanhas popularescas, isso não o ajudou a manejar o leme com destreza. Pelo contrário. Só se viu grandes atrapalhadas, o que abriu brechas para a famosa revolução de 1930, com a entrada de Getúlio Vargas (1882-1954) no poder.

Ao assumir o cargo, em uma das fases mais turbulentas da história, Washington foi engolido pelos seus auxiliares que, entre outras aberrações, não passavam para o chefe os movimentos que ocorriam no país, a partir dos levantes populares. Resultado: o presidente foi destituído e preso no Palácio da Guanabara. Obviamente, era um mundo mais doméstico. Não havia as "complexidades" geopolíticas que estamos vivendo.

Pois bem. Os anos se passaram e muitas coisas mudaram. Menos uma: A ARROGÂNCIA PELA FALTA DE UMA VISÃO POLÍTICA. Logicamente dá para linkar outros exemplos, mas percebo que as
falhas e fracassos de Michel Temer, com os seus ardilosos auxiliares, serão lembrados no futuro, mostrando que foi um homem extremamente provinciano, com o corpo e a alma dominados por um sistema financeiro completamente antidemocrático, que detesta falar sobre DISTRIBUIÇÃO DE RENDA DE RIQUEZAS, QUALIDADE NA EDUCAÇÃO OU NA EVOLUÇÃO DA AGRICULTURA FAMILIAR.

Esse é o mundo Temer. Vazio e sem graça.