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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Sombras de uma realidade fragmentada







É impressionante ver como as pessoas se deixam levar por falsos conceitos ideológicos e, perversamente nas suas incoerências, nutrem uma fantasia por mitos duvidosos que estrangulam a essência de uma racionalidade compromissada com o bem estar social, ou por uma investigação intelectual mais apurada.

Nos últimos anos assistimos no Brasil à multiplicação de vozes acadêmicas que, entre outras bizarrices comportamentais, se rotulam de “esquerda”, e não abrem espaços, por exemplo, para aqueles que preferem o liberalismo clássico europeu. Que por sinal é uma minoria. Que o digam os leitores de Noberto Bobbio (1909-2004), um cânone da literatura jurídica, que dava ênfase a um estudo mais detalhado sobre filosofia política, para não cairmos nas armadilhas dos excessos construídos pelas ideologias.

O que acontece? Esse pequeno grupo, que tem o pé no liberalismo clássico europeu, é freqüentemente banido dos processos científicos, sem direito a verba de pesquisa. Por que simplesmente não comungam com as idéias daqueles que se intitulam donos de verdades “marxistas”.

A ironia dessa história é que muitos desses “especialistas”, do pensador prussiano, não compreendem com profundidade o que Karl Marx (1818-1883) escreveu de fato. São atores medíocres que não focam pela excelência científica e sim pelos seus belos salários. Afinal, eles prezam por um status quo intacto.     

A filósofa e economista marxista Rosa Luxemburgo (1871-1919), que também conhecia com profundidade as obras dos liberais Adam Smith (1723-1790), John Locke (1632-1704) e J.S Mill (1806-1873), tinha alertado sobre as falsas concepções dogmáticas de verdades doutrinárias. Segundo ela, isso anularia a igualdade argumentativa e a construção de uma civilização com maturidade intelectual suficiente, para sanar os problemas humanos. Em uma de suas máximas, Luxemburgo previa uma série de ritos estranhos ao dizer: “A liberdade apenas para os partidários do governo, apenas para os membros do partido, por muitos que sejam, não é liberdade. A liberdade é sempre a liberdade para os que pensam diferente”.

Ao longo dos anos vimos uma impositiva “evolução” estatal petista, por parte do magistério universitário, obrigando seus alunos a repetirem uma cartilha autoritária de “valores” que, nos seus enredos psíquicos, ajudam a produzir uma nação de zumbis. A sua maioria, já conectada por uma rede controlada pelo grande irmão (big brother), como profetizou o escritor e jornalista George Orwell (1903-1950), mergulha em um mundo sem singularidades. Crêem que a vida tem apenas um lado.      

Tanto é que a filósofa Marilena Chauí, por exemplo, uma engajada petista, com sua metralhadora verborrágica, insiste na tese que seremos engolidos por uma direita reacionária, incapaz de vislumbrar uma transformação profunda. Seus exageros, manias e tiques nervosos contra a classe média, que ela diz odiar, se transformou numa cacofonia conspiratória ao afirmar que o juiz Sérgio Moro foi treinado pelo Federal Bureau of Investigation (FBI) para desarticular o governo petista.

Como doutrinadora de verdades, e por seus estímulos aguçados por uma elite petista militante, Chauí é um modelo que prospecta falsos conceitos. E os seus discípulos zumbis adoram essa mentira. Mas será que a professora, no seu salto alto mental, se esquece que ela é cúmplice de uma engenhosa façanha estatal, que aniquilou completamente a lógica de uma gestão compromissada com o bem estar social?

A precariedade humana estabelecida pelo seu partido, o PT, desconfigurou completamente o sentido da ética política, ao por em prática um forjado mecanismo de “proteção” social de dependência paternalista e, principalmente, de ter esquematizado um plano econômico totalmente ilusório, alimentado por falsos conceitos apresentados por uma gente que insiste possuir o poder da verdade. Não passam de sombras que vislumbram realidades fragmentadas.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Michel Temer é pior que Washington Luis






Novamente o governo federal se sucumbe pela falta de informação. Ao apresentar as suas medidas para "reduzir os gastos públicos e iniciar a retomada econômica do país", nota-se, como sempre, uma viciada linguagem tecnocrática, encapsulada por teorias ultrapassadas e veneradas como certas, por mentes, que, sem qualquer erro de cálculo, lembram os senhores de engenho.

Percebe-se, nos olhares dos "ilustres ducados", e, principalmente, no de Michel Temer, uma enganação sendo produzida para atender alguns interesses, diga-se, de um mercado fisiologicamente conservador.

Esse plano, arquitetado pelos auxiliares do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, faz lembrar muitos episódios da história brasileira, obviamente com outras narrativas, mas, que se entrelaça por conveniências de grupos econômicos fechados, que não possuem qualquer relação com as atuais demandas planetárias. É um projeto que não vislumbra o desenvolvimento social.

Os argumentos teóricos expostos até agora, na sua conceituação, são temperados por gotículas de fascismo e autoritarismo. Completamente desconectado com a realidade coletiva, Michel Temer é a extensão de algo menor, sem brilho e, sobretudo, sem cultura cooperativa; aliás, esse termo cooperativismo, não faz parte do seu vocabulário.

Passados alguns dias, desde a sua posse como presidente interino, sinto que Temer é pior que Washington Luis (1869-1957), que presidiu o país de 1926 a 1930.
Conhecido como Seu Lulu, o último presidente da República Velha, era advogado, promotor e jornalista. A atriz francesa Gabriele Dorziat dizia que ele tinha os olhos "mais lindos do mundo".

Era um presidente que adorava a boêmia e o carnaval, mas, com todas as suas façanhas popularescas, isso não o ajudou a manejar o leme com destreza. Pelo contrário. Só se viu grandes atrapalhadas, o que abriu brechas para a famosa revolução de 1930, com a entrada de Getúlio Vargas (1882-1954) no poder.

Ao assumir o cargo, em uma das fases mais turbulentas da história, Washington foi engolido pelos seus auxiliares que, entre outras aberrações, não passavam para o chefe os movimentos que ocorriam no país, a partir dos levantes populares. Resultado: o presidente foi destituído e preso no Palácio da Guanabara. Obviamente, era um mundo mais doméstico. Não havia as "complexidades" geopolíticas que estamos vivendo.

Pois bem. Os anos se passaram e muitas coisas mudaram. Menos uma: A ARROGÂNCIA PELA FALTA DE UMA VISÃO POLÍTICA. Logicamente dá para linkar outros exemplos, mas percebo que as
falhas e fracassos de Michel Temer, com os seus ardilosos auxiliares, serão lembrados no futuro, mostrando que foi um homem extremamente provinciano, com o corpo e a alma dominados por um sistema financeiro completamente antidemocrático, que detesta falar sobre DISTRIBUIÇÃO DE RENDA DE RIQUEZAS, QUALIDADE NA EDUCAÇÃO OU NA EVOLUÇÃO DA AGRICULTURA FAMILIAR.

Esse é o mundo Temer. Vazio e sem graça.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Rizoma






Em breve vou lançar "Rizoma - O Círculo do destino e sua ontológicas histórias-", no formato e-book e em livro impresso pela Editora Lesma Poesia. É o meu primeiro romance com um olhar essencialmente feminino, provocativo e, sobretudo, marcado por recortes históricos culturais, políticos e filosóficos.
Alguns depoimentos foram escritos por jornalistas, escritores e editores, para fortalecer as teias rizomáticas do romance. Um deles é do editor e poeta Osmir Lesma Poesia.
"Durante a leitura do livro Rizoma, me veio sempre uma palavra: passagem. Tanto nos lugares – alguns dos quais conheço – e personagens, com frenéticas estações e fragmentos, sempre tive a ideia de movimento segmentado e que alguém controlava o ritmo, no caso o autor. Esse estilo não linear de literatura e memorialística é o alimento básico para leitores cientes de um mundo em constante desconstrução. Ao deparar-me com a substância incolor destes diálogos e cenários tão sem alcance, me atrevi a compreender a distância como encontro. Doce frenesi e identidade. Suspeitei que do outro lado do universo literário alguém ouvia e dialogava com meu ruído interior. Terminei de ler e fiquei pensando, procurando. Como fumaça, nódoa e algodão... Para ser mais impreciso; rizoma puro."

Sem idealismo a loucura se transforma em mercadoria


Eu gosto dos franceses. Em especial Antoni Artaud (1896-1949) e Michel Foucault (1926-1984). O primeiro foi anarquista, poeta, ator, diretor de teatro e um dos maiores nomes para se compreender, de um ponto de vista artístico, as gestualidades internas da loucura; o segundo, um exímio historiador das ideias, filósofo e crítico literário, se articulava em expressões científicas acadêmicas, principalmente nos estudos sobre a teoria da biopolítica.

Os dois sabiam, com exatidão, os processos que geram as diferenças humanas. Eles entendiam que o declínio da cultura ocidental se daria por razões militaristas, sobretudo, focada numa zona obscura do capital voltada para uma servidão humana cruel, iniciada pelo cientificismo alemão nazista a partir da ascensão de Adolf Hitler (1889-1945) e formatada pelos americanos no pós-guerra no governo de Harry S. Truman (1884-1972).

Basta ler “A Era dos Extremos”, Companhia das Letras, escrito por Eric Hobsbaw (1927-2012), para clarear as ideias de como a barbárie se tornou sofisticada numa civilização, incongruente ao modus operandi da natureza, que continua a seguir silenciosamente os interesses de um domínio predatório.

Segundo Hobsbaw, a humanidade sobreviveu. “Contudo, o grande edifício da civilização do século XX desmoronou nas chamas da guerra mundial, quando suas colunas ruíram. Não há como compreender o Breve Século XX sem ela. Ele foi marcado pela guerra. Viveu e pensou em termos de guerra mundial, mesmo quando os canhões se calavam e as bombas não explodiam.”

O século XX também foi “eficiente” para se criar sistemas e instrumentos parasitários de poder. A essência de sua arquitetura, obviamente distante dos olhares cotidianos, foi projetada por centros de pesquisas estadunidenses. Tal referência pode ser encontrada no livro “Futuros Imaginários – Das máquinas pensantes a aldeia global”, de Peter Barbrook. É um caldeirão de valores simbólicos (televisão, rádio, literatura, artes plásticas, música, computadores, internet, celulares e outros utensílios), que se apropriaram de técnicas linguísticas bem elaboradas com o objetivo de controlar.

 George Orwell (1903-1950) que criou o termo Big Brother errou? Não!!! Ele só deu a dica de como a humanidade entraria no seu estágio de misosofia (aversão ao saber) se impulsionando para a esfera de uma passividade mental doentia.


Loucura e domesticação mental
Nesta dinâmica de raciocínio faço uma referência ao livro “A História da Loucura”, de Michel Foucault. Ele apresenta um panorama sobre a edificação da doença mental, criada e estudada nos laboratórios hospitalares, que a projetaria como artefato dentro das estruturas sociais com elaborado apoio governamental e da indústria farmacêutica. E, como não poderia deixar de ser, o território de Barbacena serviu para esse propósito.

Entramos no século XXI com a mente cambaleante. Com aproximadamente 8 bilhões de pessoas, a Terra está sucumbindo. Falta água, aumentam às catástrofes antrópicas (geradas pelo próprio homem), epidemias se alastram pelos quatro cantos do planeta, bilhões de pessoas sem casa ou comida e, principalmente, sem trabalho.

Será que isso não faz parte de uma passividade mental construída, parafraseando Focault, para “vigiar e punir?” Não estaríamos presenciando outro grau da deficiência cognitiva produzida no passado? Neste cenário a loucura e a domesticação mental se transformaram em elementos precisos de manipulação.

Consumismo, preconceito racial, homofobia, dependência tecnológica e química, exploração exponencial dos recursos ambientais, guerras, narcotráfico e tantas mazelas surgidas nos últimos tempos, provam que ainda vivemos na síndrome do mito da caverna, pensado por Platão (427 a. C/347 a.C).

Dá para perceber que o histórico sobre a doença mental não está localizado ou conceitualmente datado. Pelo contrário. Ela está presente em todos os aspectos; no fundamentalismo ideológico ou religioso, podemos detectar suas ações perniciosas. Um asco da insanidade alimentada pelos burocratas.

Outra coisa, não se engane, a doença mental está ganhando vida e se movimenta livre... Do contrário, não teríamos tantas desconfigurações orgânicas pelas nossas cidades. Mas, tudo isso se deve também a preguiça para questionar os problemas que danificam direitos, deveres, valores e propósitos éticos.

Alguns lançam livros, fazem filmes e promovem a loucura como um produto. Quem ganha nesta história? Será que comunidade, no seu todo, se interage sobre esses acontecimentos? Assim como pensava o psiquiatra Vinicius Samara, tragicamente assassinado em Barbacena, que tinha uma abordagem clara sobre a questão? Não!!! Eu conhecia Vinicius e entendia suas ideias. Era uma mente libertadora... Nunca fez marketing sobre o tema, pois sabia que o buraco era mais embaixo. E como é!!!

Isso ocorreu na virada da década de oitenta para noventa, as pessoas não usavam disfarces egocêntricos. A luta antimanicomial tinha um objetivo claro. Questionar os pormenores desse grande drama, com ativa participação de vários atores sociais, com o objetivo de desconstruir a fidalguia de uma medicina que ainda tinha os pés no cientificismo nazista.

Como podem ver... Não era uma tarefa fácil. Contrapor esquemas corruptos e as malandragens do sistema exigia muita coragem. Mas quem se importa com a memória daqueles que não tiveram qualquer relação estatal ou que fizeram algo realmente relevantem sem focar em benefícios próprios?


Isso me lembra quando o psicólogo Jaques Delgado lançou o seu livro “A Loucura na Sala de Jantar”, em 1991, em Barbacena. Seu trabalho realizado em Triste, Itália, que traz referências de Basaglia, Rotelli, Dell’Acqua e Artaud, contribuiu com o processo de uma discussão e implantação por uma nova política pública mental no Brasil. Sua presença na cidade foi marcante. Sua provocação de como devemos abordar a questão da loucura, não como produto comercial, e, sim como algo a ser levado a sério, deveria ser refletida pela nova geração. Do contrário só teremos devaneios e poucas perspectivas de mudança. 

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Fogueira das vaidades criada pela Crimedeia

                                    

O artigo escrito por Maurício Angelo, no site Crimedeia: “Sebastião Salgado, o patrocínio da Vale e a ‘salvação’ do Rio Doce”, segue uma rotina amorfa e sonsa. Ele me lembra alguém que tem muitas dúvidas sobre si mesmo e do mundo. Ainda bem! Se fosse o contrário, o universo observável seria extremamente simétrico e chato. Mas como o século 21 representa o auge do antropoceno, nunca é tarde para diálogos aparentemente insólitos.

Mas a impressão que se tem é que alguém, sejam os financiadores do site crimedeia ou outros balangandans esquisitos, esteja insatisfeito com os movimentos criados por Sebastião Salgado e, principalmente, da visibilidade que o Instituto Terra, em Aimorés, Minas Gerais, ganhou aos olhos do mundo. Exageros? Não!!! Um fato.

Percebi que a maioria dos pontos apresentados pelo burocrático site, que se autointitula “Ministério da Verdade”, uma ideia tirada dos elementos literários de George Orwell (1903-1950), se diz apartidário e sem orientações "ideológicas". Na minha reflexão, esse é um terreno lamacento, ofuscado pela ausência de uma legitimidade conceitual comprometida com a informação.

No seu romance “O Homem sem Qualidades”, Roberto Musil lança essa fagulha: “Não há nenhum pensamento importante que a burrice não saiba usar, ela é móvel para todos os lados e pode vestir todos os trajes da verdade. A verdade, porém, tem apenas um vestido de cada vez e só um caminho, e está sempre em desvantagem.”

Com um viés retórico, disfarçado como inovador de ideias, e, sobretudo, performático em conjecturas contra modelos predatórios, eu não encontrei nenhum artigo, matéria ou ensaio, que aborde temas ambientais relevantes para analises científicas, como por exemplo, a destruição dos rios e dos mares causado pela agricultura animal. Por que será? Ao longo dos últimos anos inúmeros coquetéis de toxinas são lançados na água doce. Que por sua vez tem devastado o mar, que perdeu 50% da sua biodiversidade marinha nos últimos 30 anos. Até agora não vi nenhum ambientalista levantar esta questão.

Aí eu pergunto, só agora o genial escriba Maurício achou o momento adequado para expor seus teores conspiratórios sobre Sebastião Salgado + Banco Mundial + Governo Federal e outras quinquilharias exóticas relacionada com a recuperação do Rio Doce? Que jornalismos é este?  

Crimedeia na verdade é partidário. Partidário da falência de uma visão de mundo... Que seja mais profunda. O site se ampara em notícias de jornais e não possui qualquer bibliografia mais específica sobre o problema que apresenta. Parece encenar recortes epistemológicos para desconstruir o projeto apresentado pelo Instituto Terra; até agora, o único a fazer algo realmente eficaz no Brasil, sem que se perca em subterfúgios de um relativismo cultural hipócrita. Acho que o Maurício deveria buscar fontes interessantes, tais como Enrique Leff, Silvio Funtowicz, Bruna de Marchi, Isabel Carvalho, Jorge Osorio, Rubén Pesci, Daniel Luzzi, Javier Riojas, Joaquim Esteva, Javier Reyes e Maritza Gómez, para melhor avaliar sobre o que fala.

A matéria não apresenta paradigmas satisfatórios e desenvolve uma "lógica", com tons de manipulação, intrinsecamente conservadora ao enveredar por caminhos enunciados como reais. Extremamente cartesiano, o texto tenta criar fôlego, brandindo uma certa arrogância nas informações obtidas pela "antenada legião",  que alfineta o curto tempo que o Instituto Terra teve para apresentar uma resposta rápida para o problema. Ora!!! O instituto é um espaço científico. Essa é a sua função. O jornalista por acaso não sabe como funciona a sistematização para respostas rápidas, no que se refere aos procedimentos contra os impactos negativos?

Em determinado momento o texto tentar conceituar aspectos éticos, relacionais e profissionais de Sebastião com a empresa Vale, como se o fotógrafo estivesse estabelecendo metafísicas canibais com o poder estatal. Cita uma entrevista do fotógrafo em uma determinada mídia européia, onde na ocasião vários ambientalistas protestaram contra a exposição de Salgado por ter o seu trabalho patrocinado pela Vale.

Gostaria de saber os nomes desses ambientalistas europeus. Sabe-se que grande parte deles é extremamente frouxa quanto a questão dos processos corrosivos da agricultura animal. O site, literalmente empobrecido, com base em relatos publicados apenas por jornais, não cita quais serão os impactos positivos que estão sendo orientados pelo Instituto Terra, quanto à preservação das nascentes do Rio Doce.


Sebastião Salgado é economista. Isso não é novidade para ninguém. Quando ele fez doutorado em Paris, com certeza criou vínculos com uma geração que atualmente tem colocado o dedo na ferida no raciocínio dos neo liberais. Creio que pelo seu trabalho e pela sua total lucidez quanto aos problemas do Brasil, ele não teria qualquer motivo para se lançar como uma peça mercadológica. Afinal, Sebastião Salgado tem visão de mundo.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Processos rizomáticos







Ao me lembrar da infância vivida próximo das florestas, das cachoeiras e dos vales, no alto da Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais, percebo o quanto a natureza era abundante nos seus recursos e, principalmente, mais falante com o homem.
Não esqueço das belas sacadas estéticas de suas paisagens; eram aplicativos impressionistas, em territórios ainda férteis, compreendidos maravilhosamente por Oscar-Claude Monet (1840-1926).
Também existiam as introspectivas poéticas de Goethe (1749-1832), que se faziam desafiadoras para muitas mentes que assistiam pouca TV, mas adoravam viajar nas correntes dos efeitos do C20H25N3O, nas noites alucinantes de fartas constelaciones.
As estrelas se transformavam em enigmas... Um jogo de linguagem conhecido apenas por Hermann Karl Hesse (1877-1962), nos seus detalhes ontológicos ultra realísticos. Mas quem lia Hesse na década de sessenta no Brasil? Eram os loucos estudantes de medicina, de engenharia, de direito, de letras, de história, de geografia, de psicologia e de filosofia. Outra coisa, a rapaziada tinha expressões sexuais, apresentadas por William Reich (1897-1957), desnuadamente bem resolvidas.
Isso acontecia exatamente na época que o mundo humano se via no período de transições de valores. Era o final do clássico capitalismo científico, criado por Adam Smith (1723-1790), dando espaço para o crescimento do antropoceno. Uma equação que deixa dúvidas quanto aos fundamentalismo ideológicos estabelecidos durante o séculos 20. Putz!!! Foi nessa fase que surgiu o Consenso de Washington.
Transito pelas insondáveis deduções do materialismo dialético, pedagogicamente utilitário na cabeça de "notáveis" economistas e políticos, e me lanço de coração e cérebro na expansão do universo desenhados mentalmente por Giordano Bruno (1548-1600). Se naquela ocasião, os religiosos não tivessem se intrometido na história, estaríamos mais integrados aos processos naturais e menos mecânicos.
Bem.. Isso são fragmentos. Coisas simples... Rizomáticas... Sem efeitos colaterais. Afinal. essa não é a intenção.

sábado, 17 de outubro de 2015

Que conversa mais tosca é essa?

 
Deu no jornal O Globo, dia 17/10/2015: "Intelectuais divulgam carta conttra pedido de impeachment de Dilma."
  


 
Se esses "intelectuais", "acadêmicos" e preguiçosas mentes de gabinete estivessem preocupados com os rumos éticos das nossas instituições, promoveriam um amplo debate sobre a realidade do Brasil com toda a sociedade. Se fossem realmente sérios, não se restrigiriam em trincheiras datadas, como soberbas mentes heróicas que "lutaram" contra a ditadura. Até parece que isso é sério.
 
Mas, como sempre, essa fina e espessa camada que se considera acima dos seres humanos comuns desviam do assunto principal, no caso a corrupção que assola nossas instituições como erva daninha, para tentarem camuflar as bizarrices construídas por um governo sem brilho, sem um estadista de fato confiável, dizendo que a presidente Dilma Rousself não cometeu erros para um pedido de impeachment.
 
Ora, sejamos francos. O resultado dessa política foi um aumento de quase meio trilhão de reais na dívida pública, que hoje chega a 3,2 trilhões (Revista Piau, outubro de 2015, pág. 44). A economia está em frangalhos. As dimensões dessa crise, criada pelas falsas vias de crescimento econômico abastecidas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para dar suporte a Petrobras com a construção de estaleiros para produzir navios e sondas foi uma completa catástrofe.
 
Os nossos intelectuais acadêmicos são semelhantes aos papagaios, repetidores de uma retórica ruim, chata, que não traz profundidade lúcida do que ocorre no nosso dia a dia. Essa contínua insensatez é resultado de um enfadonho mundo sem ideias originais.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

As deficientes narrativas da Dra.Janaína





  A jurista Janaína Paschoal no Programa Roda Viva 

A advogada Janaína Paschoal não me convenceu em sua entrevista no Programa Roda Viva, da TV Cultura. A palavra "verdade", um adjetivo muito usado por ela, apresenta deficiências históricas sobre o tema em questão. Suas analises se excederam para um campo geopolítico extremamente precário.

Faltou a especialista detalhar que as raízes do capital e da política brasileira sempre deram as cartas ao que deve acontecer por aqui. PT e PSDB seguem a mesma cartilha gramsciana. Já o PMDB, sem comentários.

Tucanos e petistas comungam sobre a manutenção do estamento burocrático e reverenciam as técnicas de controle sobre o povo; como sempre voltadas para novos domínios biopolíticos. Principalmente aqueles que foram bem definidos pelo Consenso de Washinton. Leia-se FMI, Banco Mundial e o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, fundamentadas pelo economista John Williamson. Será que Williamson estudou Adam Smith?

Novamente faltou a professora de Direito da USP esclarecer pontos importantes da construção de regimes autoritários na América Latina e Cuba. Uma centelha de sociólogos chatos garantem que Vladimir Vladimirovitch Putin está por trás desta história; uma outra facção mais chata ainda diz que são os americanos.

A professora prefere o caminho de um dos lados desses fundamentalismos entendiantes, que repito: são extremante defeituosos nos seus conceitos. Sua retórica autoritária como emissária de super juristas, que tem os pés no conservadorismo acadêmico, apresenta uma mensagem confusa.

O programa Roda Viva declinou. Falta gente qualificada para fazer as perguntas certas. Tempos estranhos para a TV Cultura. Tenho saudades das intermediações do jornalista Matinas Tupinambá Suzuki.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

O planeta Terra sobreviverá, nós não!



Clair Patterson (1922-1995)


           Nós, seres humanos, merecemos vários troféus pela nossa persistência para eliminarmos problemas. Durante o pouco tempo que estamos na Terra, conseguimos realizar muitos feitos que, de fato, impressionam.

      A maioria deles, certamente, foi introduzida por pensadores de todos os pontos do globo. São cientistas, poetas, teólogos, filósofos e grandes artistas. Uma jornada magnífica, podemos dizer...

      Mas será que no século XXI, em médio prazo, teremos respostas para que bilhões de pessoas não morram de fome, de sede ou vítimas das turbulências climáticas que estão por vir com fúria? Saberemos compreender os reflexos do conhecimento construído no passado por essas mentalidades poderosas?

      O mundo deixa de ser surpreendente quando cai na areia movediça do caos político que, infelizmente, abrigam esfarrapados e inúteis ideias, retrógradas no contexto da evolução da vida; definitivamente, a camada mais predatória da nossa espécie ainda define os rumos das nações.

      Se fosse diferente, não assistiríamos passivos a degradação sucessiva das florestas e a acidificação dos oceanos provocada pelo aumento do dióxido de carbono (C0²) na atmosfera terrestre. O analfabetismo ecológico é crônico. Sua generalização não tem precedentes na nossa história.

      A alienação, o medo, as exaustivas manifestações pelas redes sociais e pelas ruas do país, são orquestradas e se amparam na massificação de interesses desconhecidos do grande público, quanto ao jogo dos donos do capital... Digam-se, banqueiros.

      Os novos mitos, da galera plastificada, não passam de alucinantes e entorpecidas falácias programadas por partidos políticos, que almejam o quê exatamente? Uma coisa, se me lembro bem, que já foi descrita por George Orwell (1903-1950), no seu livro “A Revolução dos Bichos”.

       Somos tão sonâmbulos sobre os processos históricos, biológicos, químicos, geológicos, matemáticos e econômicos, que esquecemos algumas ações que beneficiaram a humanidade. Certamente sem elas, os impactos negativos da biodiversidade planetária estariam muito pior, colaborando para a nossa extinção imediata.

        E uma pessoa fundamental para que estejamos sãos e salvos, capazes de usufruir o que a natureza nos proporciona no presente é Clair Patterson (1922-1995). Ele teve comprometimento, ética e, acima de tudo, competência argumentativa para derrubar os interesses perversos da indústria automobilística.

      Geoquímico, Patterson fez sua graduação no Grinnell College, Lowa. Recebeu seu Ph.D na Universidade de Chicago e toda sua vida profissional rolou no California Institute of Tecnology. Na década de cinquenta, o seu trabalho para calcular a idade da Terra com a comparação de medidas de meteoritos e minerais é a mais precisa até hoje encontrada, de aproximadamente de 4,5 bilhões.

       Na década de 60 ele colocou a indústria automobilística e a do petróleo de joelhos. Enfrentou cientistas, que apoiavam a ideia que o chumbo na atmosfera não trazia malefícios a saúde humana e um competente esquema de lobby industrial, mantido juridicamente por escritórios poderosos.

      Sua pesquisa durou décadas. Ele conseguiu provar a opinião pública e o governo dos Estados Unidos que estava certo. O chumbo, naquela época, foi vetado como um dos compostos na gasolina.

     Atualmente, a história se repete. De um lado há os cientistas que mostram um cenário completamente fragilizado. Não sejamos otimistas. O planeta Terra já perdeu 50% da sua biodiversidade marinha; do outro lado, outros cientista argumentam que estamos no caminho da prosperidade, e que tudo não passe de meras especulações de ambientalistas radicais. Será?

    Quem está com a razão? Bem... Basta olhar ao nosso redor e ver que a instabilidade no planeta tem gerado conflitos profundos; grande parte da nossa economia depende da água, de terras férteis para plantios e criação de animais. No Brasil, por exemplo, que seguiu a cartilha da produção da soja, com um olhar nesse dito progresso, o que se vê é a total eliminação de sistemas de vida, essenciais para o equilíbrio do meio ambiente.

   O planeta está no seu final? Não! Nós é que estamos. Ele pode ser recriar daqui a 10 milhões... 100 milhões... Nós não! Somos precários, limitados e dependemos dele para sobrevivermos. Ainda assim, os seres humanos tentam destruí-lo para satisfazer seus desejos materiais. Há alguma racionalidade nisto?  

quinta-feira, 30 de julho de 2015

A imprensa nossa de cada dia


 

 
Definitivamente estamos na fase do jornalismo declaratório. Ou seja, a fonte é bastante duvidosa, sem escrúpulos e sem qualquer vínculo com as dinâmicas da democracia. O foco se concentra na destruição alheia e que se danem todos. Este comportamento insano, alimentado pela grande mídia, criou força a partir da década de 90 e cresceu assustadoramente no século 21.
 
No geral as matérias são superficiais e não possuem fundamentos éticos que comprovem a veracidade das denúncias apresentadas. Isto destrói drasticamente a reputação de pessoas inocentes, que se tornam réus de um simulacro “circense”. Tudo se transforma em um espetáculo mediático.
 
A falta de vigor investigativo e, principalmente, a eliminação de técnicas jornalísticas bem fundamentadas, tem sido assunto de alguns profissionais sérios. É o caso do escritor, jornalista, repórter de televisão, Caco Barcellos. Ele levanta questões importantes sobre isto, ao refletir a importância de apurar uma determinada denúncia com profundidade ao ouvir fontes legítimas, que não sejam simplesmente declaratórias.
 
Recentemente, o escritor italiano Umberto Eco lançou o livro “Número Zero”. É um romance que faz uma análise do charlatanismo produzido por um grupo de redatores, que tem o objetivo de chantagear, de difamar e de prestar serviços duvidosos ao seu editor. É um manual do mau jornalismo e de como tudo é muito inconsistente quando a meta é vender a notícia como mercadoria.
 
Mas há outros livros provocativos, quanto à deficiência jornalística. “O Jornalismo Canalha” e “Showrnalismo – a notícia como espetáculo”, escritos por José Arbex Jr., são referências de como a imprensa anda mal das pernas. Arbex é um conceituado jornalista, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e doutorado em história, que teve como orientador Nicolau Sevcenko (1952-2014).
 
Seguindo o mesmo raciocínio do sociólogo e filósofo francês Jean Baudrillard (1929-2007), José Arbex Jr, assume uma posição crítica sobre a cobertura jornalística da invasão do Iraque pelos Estados Unidos da América e Grã Bretanha em março de 2003, dizendo que tudo não passou de um grande espetáculo, rarefeito no seu conteúdo, que apenas prestava seus serviços aos interesses do Pentágono.
 
Outra questão é a vulgaridade da linguagem midiática. Recentemente vi o conflito de opiniões entre o jornalista Ricardo Boechat e o pastor Silas Malafaia. Os dois se atacaram com palavras ofensivas. Um episódio negativo e sem nexo, principalmente pela história construída por Boechat, que disse que não daria bola para Malafaia e que ele deveria “procurar uma rola”. Foi rídiculo!!
 
São nestes momentos que queria ser da geração, da década de 1970, que ouvia com prazer os debates entre Noam Chomsky e Michel Foucault (1926-1984). Era um exercício dialético profundo, excepcional, com temas que passavam pela política, biologia, processos linguístivos e outros assuntos fundamentais para a civilização sem qualquer afetação intelectual. Era uma época demasiadamente humana e menos mecânica.nação em frangalhos. Logicamente há uma grande distância que separa os dois pensadores, do pastor e do jornalista.
 
Atualmente, para a infelicidade do conhecimento, muitas pessoas tem agido segundo os Códigos de Hamurabi, “dente por dente, olho por olho”. É só lermos ou ouvirmos as opiniões de Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, Raquel Sheherazade e Olavo de Carvalho, para sentirmos o quanto essas vozes carregam consigo excessos delirantes na linguagem mediática, como se fossem os escolhidos para ordenar a nossa cultura.
 
Neste quadro tão estranho e amorfo, me lembro de Hannah Arendt (1906-1975) e de suas palavras: “As mentiras sempre foram consideradas instrumentos necessários e legítimos, não somente do ofício do político ou do demagogo, mas também do estadista”. Seguindo a citação da pensadora judia, a mentira também se torna instrumento de muitos profissionais da mídia, que se deleitam em um mundo de ruínas, apocalíptico, e convictamente fundamentado por uma nova concepção de direita. A quem eles querem enganar?
 
 

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Sinais conscientes de uma mente brilhante

 
 

 
 
O poeta mexicano Octavio Paz (1914-1998) foi uma das mentes mais lúcidas que tivemos. Diplomata, ensaísta, tradutor e premiado com o Nobel de Literatura em 1990, ele construiu uma linguagem própria e extremamente eficiente do ponto de vista prático. Seus textos eram concisos e objetivos.
Paz morou em vários países e era amigo de grandes intelectuais do século 20, entre eles o surrealista André Breton (1896-1966), que t...ambém foi um dos maiores poetas do seu tempo.
Mas os sinais de lucidez de Octavio Paz ultrapassavam as camadas simplórias dos pensamentos medianos. Tanto é que sua obra é amplamente estudada por grandes pesquisadores da linguagem.
É importante frisar que o poeta, em sua reflexões, dizia que o mundo civilizado se encerraria de fato no século 20. Ou seja, o que as gerações do século 21 presenciariam, seriam apenas pequenos fragmentos soltos no espaço.
Nas suas proposições filosóficas, estruturada por elementos poéticos, Octavio Paz nos alerta sobre a barbárie existencial que mergulharíamos. Que não são poucas!!!
Pelo que noto, suas ideias tinham consistência profética.
Percebam isso: O fascismo retornou com força... Degradando a lógica da evolução. Ele, o fascismo, brota feroz como um vírus sem cura. É só observarmos os movimentos do capital global, sendo gerenciado com mão de ferro pelo FMI e Banco Mundial. A equação é a mesma. O domínio, o controle, se define em pequenos grupos.
Outra coisa, a ideia de uma visão realmente ecológica, se transformou num mercado que alimenta as contas bancárias de falsos ambientalistas. Vivemos em uma ilusão de transformação. Quer mais: A dita "nova revolução tecnológica", é excludente... A sua plataforma e recursos são brinquedos para uma multidão de milhares de pessoas, que não conseguem ler um livro.
São tempos que rolam soltos e se perdem velozes no horizonte. Os labirintos são maiores, mais perigosos e cruéis.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

DESASTRE AMBIENTAL


                           

O Brasil vai mal porque sua política em Brasília é completamente desastrosa. Recentemente a Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados rejeitou o projeto que cria uma política nacional para a preservação e uso sustentável do mar territorial (fonte jornal O Globo,13/06/2015).
O relatório, vejam bem, foi rejeitado pelo deputado Alexandre Baldy (PSDB-GO), que nem estudou o tema com profundidade e desconhece por falta de méritos, os graves... problemas ambientais dos oceanos.
Ao que parece esse parlamentar está prestando um desserviço ao futuro do país. Ele é tão ignorante, que no seu parecer disse: "A existência de uma legislação específica para a preservação do bioma marinho poderia impedir atividades pesqueiras e torna-las inviáveis, com a criação de taxa para sua execução."
Será que esse individuo sabe explicar minuciosamente, com argumentos históricos, como se deu a exploração do nosso litoral, com a chegada dos portugueses, até os dias de hoje? Duvido!!!
Se ele soubesse, não cometeria tal equivoco, pois a pescaria região dos Lagos, por exemplo, caiu desastrosamente. Dados apresentados por pesquisadores sérios, mostram o declínio da pesca.
De 1920 a 2015, o quadro é catastrófico. Peixe se encontra somente em alto mar por grandes empresas pesqueiras. Há ainda a contaminação da água, da desertificação dos corais e da poluição lançada pelas vinte cinco mil plataformas de petróleo nos oceanos. Tudo isso causa impactos negativos ao meio ambiente.
É a burrice reinando nas comissões em Brasília. Os seus técnicos são engessados pela doutrina de um sistema corrupto e cruel.
A matéria publicada no jornal O Globo, que cometeu um erro na legenda da fotografia feita por Laura Marques: "Caos no litoral. Praia de Cabo Frio, ambientalistas temem exploração econômica desordenada da costa do país".
A imagem na verdade é das Prainhas do Pontal do Atalaia, em Arraial do Cabo, e não da Praia de Cabo Frio. A ilha de Cabo Frio fica próxima do Pontal.
Isso prova porque o Brasil é tão atrasado em tudo ao eleger pessoas como Alexandre Baldy, um peão, uma marionete que nada contra a corrente de um mundo mais civilizado.
 

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

“N’est pás?”


 
A expressão “N’est pás?”, se transforma em uma reflexão ontológica para que possamos compreender o sentido exato da essência de uma questão, que até hoje anda solta pelo mundo, que é: “Quem é um estadista?”

Desde os tempos áureos de Platão, Sócrates e Aristóteles, que inauguraram proposições na política, na metafísica e em várias áreas do conhecimento, a civilização humana tem a necessidade de resolver essa grande demanda.

Ansiamos para termos de fato estadistas competentes e por méritos. Estamos cansados dos jogos políticos, produzidos por esquemas corruptos, que teimam a se rotular de democráticos.

São nestes momentos que curto fazer valer das referências de Willian Shakespeare, como exemplo de sanidade humana: “Minha coroa está no coração, não na minha cabeça”.

Sabemos que o escritor inglês foi o primeiro a tratar, com propriedades psicanalíticas, as fraturas expostas pelo ser humano, tanto nos quesitos poder político, sexo e subserviência ao sistema. Shakespeare conseguiu apresentar as entranhas perversas daqueles que optam pelo mundo da política, com muita clareza e precisão, e se devaneiam em aptidões rarefeitas da insanidade.  

O mundo do século 21 é uma avacalhação. A pós-modernidade, que faz uma releitura do modelo estético do modernismo, amplia o debate sobre o colapso das grandes narrativas. Como bem analisa o filósofo Jean-François Lyotard, ao explicitar que vivemos uma crise profunda sobre a nossa capacidade de apresentar uma explicação adequada e “objetiva” da realidade (ANDREW EDGGAR, PETER SEDGWICK, 2002).

Atualmente a Europa, que tanto rabiscou novas lógicas para a construção de um estado democrático decaiu e se tornou refém dos tecnocratas. O Oriente Médio, berço da cultura humana, foi destruída. O que existe por lá são estruturas fictícias de modernidade. Os Estados Unidos, por sua vez, mantém um elenco de personagens políticos criados nos laboratórios surrealistas de Harvard.

No Brasil, a nossa infelicidade política e administrativa começou nas transgressões morais dos primeiros republicanos. De Washington Luís até o governo de Dilma Rousseff o que se vê são fórmulas desconectadas com o espirito estadista. A identidade da nossa verdadeira esquerda morreu no período pré-64. O que se desenrolou depois disso foram falácias e falsas conjucturas. Tanto é que não existe um nome em nossa história política, que possamos definir como estadista.

Sendo assim, a questão “N’est pás?”, fica sem resposta. Aliás, estamos longe para encontrá-la. Mal sinal.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Nada de Novo



 
 
O ministro da Fazenda Joaquim Levy é no momento a figura pop do governo Dilma. Vários setores da economia nacional e internacional têm aplaudido as suas opiniões e o seu temperamento tecnocrático. Suas falas e o seu comportamento, com todo um gestual polidamente acadêmico, demonstram solidez nos argumentos apresentados, mas, mesmo com tantos elogios mediáticos, até agora a “nova” dinastia da pasta mais cobiçada da esplanada dos poderes, não sinalizou reformas consistentes no plano social.

Lobos famintos desse capitalismo selvagem, representados por banqueiros e empresários, vibram com as novas expectativas lançadas pelo atual comandante dos cofres públicos e regulador das finanças do estado. Somente eles, pois na geral ninguém sabe exatamente o sentido dos discursos do novo ministro, que tem um tom definitivamente pragmático e conservador. Nada utilitarista.

O governo, nos bastidores, mantém com pulso firme o submundo das suas relações entre aqueles que tem a chave do caixa dois. Toda a estrutura projetada para ludibriar a Polícia Federal e o sistema judiciário estão presentes. Não podemos nos esquecer que as máximas aplicadas ao longo dos anos pelos tucanos e petistas é, na sua essência, Gramsciana. E Joaquim Levy, não saíra do trilho. Suas dinâmicas de ações são ordenadas por um grupo fechado. Ele recebe a mensagem e as concretiza. Para qual finalidade? Uma delas, fortalecer Lula para 2018.

Com toda certeza, Aécio Neves vai querer ser candidato. É novo e tem energia. Mas conseguirá segurar a onda sem ter o domínio da máquina do seu estado? Sua voz e do seu príncipe Antonio Anastasia serão ouvidas por uma pequena fatia da classe média. Não terão potência para criar um cenário promissor. Vão nadar contra a corrente. Farão história? Possivelmente, mas será muito barulho por nada.

Voltando ao ministro da Fazenda Joaquim Levy, sua missão será acalmar os nervos do mercado interno, estabelecer diretrizes para confrontar os economistas de oposição e, acima de tudo, projetar um quadro que favoreça o seu chefe maior, que é Lula. Portanto, nada de novo em 2015.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Estagnação Mental

 
 
 
 
 
 
 
A ignorância política existe quando as ideais se fundamentam em uma única verdade partidária. Esse é um dos maiores problemas dos países convergentes, no caso o Brasil, que perdem parte do seu tempo em disputas que não tem qualquer conexão com questões realmente relevantes. Tudo muito paroquial.
 
O fato é que a oposição é uma fábula. Uma farsa!!! Sinto vergonha ao olhar o cantor Lobão ao lado de Ronaldo Caído protestando contra o governo; também fico incomodado, ao ver intelectuais floreando palavras a favor de Dilma Rousseff. Na outra via, percebo uma completa ausência de argumentos, por parte do grupo de Aécio Neves, para traçar uma linha de raciocínio bem elaborada capaz de criar um contraponto eficiente.
 
Estagnação econômica, falta de uma logística para a distribuição de renda, queda na qualidade de ensino e aumento do desemprego, são os fantasmas que rondarão o ano de 2015. Não há perspectivas. Se elas existem, talvez estejam voltadas para o fortalecimento da estrutura do estado, para que ele tenha mais domínio econômico e político. Fora isso, nada de novo!!! Quando vi a foto dos novos ministros me deu náuseas. Aí eu pensei: "Será que estou vivendo um terrível pesadelo?"
 
Ao constatar que meu corpo definitivamente está preso em uma engrenagem porca e insuficientemente medíocre, incapaz de mudar os rumos da história, fico mais indignado ao saber que nos bastidores, os partidos começam a esquentar suas máquinas para arquitetar uma nova geopolítica na federação com as eleições municipais de 2016. Pode!? Os comentários é que o PMDB, insatisfeito com o governo pela baixa de seus representantes em cargos estratégicos, sairá em campo para ter o maior número de prefeituras. E os projetos voltados ao crescimento, a evolução do estado e do legislativo? São varridos para debaixo do tapete. 
 
Assistimos indefesos o crescimento do número de pessoas que não tem interesses por livros, por história, por pesquisa ou por assuntos comprometidos com mudanças. De fato o ano que começa é extremamente maçante e superficial. Alguém pensa ao contrário?

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Quid sir deus e outras questões


 
 
 
Quid sir deus. Afinal o que é Deus? Uma pergunta que definitivamente não tem solução. Mesmo que teólogos arquitetem fórmulas de uma existência divina ou mecanismos enigmáticos sobre a presença de um ser onipotente, com comando na estrutura cósmica, ainda estamos muito aquém da possibilidade de sabermos exatamente, em uma máxima compreensão intelectual, alguma verdade sobre esse assunto.

Por vários séculos esse processo tecnicista foi milimetricamente pensado dentro de um modelo cartesiano, se estabelecendo como controlador das sensações humanas. Assim, foram se formando fragmentos civilizatórios, impulsionados por um fundamentalismo cristão que se ampara em belos efeitos estéticos na sua linguagem mitológica e, que, obviamente se tornou um simulacro comercial, até mesmo no campo das ciências exatas.

O que mais assusta é como o poder político e econômico se apropriou disso na corrente do tempo, formatando um domínio vertical na sua lógica de controle. Lembremos: o mundo Ocidental destruiu grande parte da cultura Oriental. Produziu guerras, massacrou famílias tradicionais e queimou bibliotecas para deter, com força, o acúmulo milenar de um rico conhecimento muito superior aos dos cristãos. Nesta perversa carnificina a humanidade foi se adaptando aos enredos impostos. E, sobretudo, mentindo para si mesma sobre o que realmente importa para as suas vidas.

No meio desta curvatura histórica encontramos a filosofia que gerou a ciência de como se pensar a política. Só que até agora, passando pela revolução francesa, americana, inglesa e outras tantas que ocorreram por aí, não conseguimos articular um regime que satisfaça o homem por completo. Por que será? Falta algo para incrementar essa inteligência movida pelas negociações de grupos?

Em dado momento da história Platão disse que o político deveria ser versado em poesia, matemática e em metafísica para atuar como legitimo representante do povo; na outra arena, Aristóteles acreditava que para ser político o homem necessitava de habilidades práticas. Bem... Os anos se passaram e ambos podem ter errado... Porque até agora, não conseguimos decifrar qual o valor exato da veracidade de um N’est pás? (Quem é um estadista?). Uma questão para a próxima reflexão.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Somos idiotas?

 
Obra de Iberê Camargo – A Idiota
 
 Vivemos em uma “nova” ordem mundial? A resposta é simples: Não!!! Sem uma perspectiva de inovações humanas nos destruímos todos os dias. Se tivéssemos dado mais atenção ao processo darwinista, talvez a humanidade não estivesse tão embrutecida. O desleixo de cair nas armadilhas da ideologia cristã causou estragos na nossa evolução.

Pois bem, voltando à análise sobre essa "nova" ordem mundial que se apresenta nessa rebuscada realidade, o que posso dizer é que ela é extremamente careta, estranha e sem conteúdo. No Brasil, por exemplo, assistimos a estagnação histórica da política. Os fatos são danosos. Estruturas corruptas anulam o seu crescimento.

A ausência de instituições sérias coloca em risco a nossa liberdade de desenvolvimento coletivo. Com isso ficamos entregues as barbáries de uma hipocrisia insana. Por outro lado, temos a perniciosa falta de uma discussão intelectual sobre o que acontece por aqui. É bom que se diga que a dita classe pensante não existe. A maioria é conivente com o que acontece.

É um drama! Peculiar a nossa estúpida e mesquinha cultura. O aniquilamento de um raciocínio mais amplo criou um ridículo cenário. O estado perdeu sua capacidade de gerir com mais responsabilidade seus recursos econômicos. E seus ideólogos acreditam que são gramscianos. O que diria Paolo Pasolini desse quadro?

Em outra via temos a desmontagem de serviços essenciais ao ser humano. Um deles o acesso à água. Vários rios estão doentes e as matas fragmentadas. E olha que isso já tinha sido comentado no período colonial pelo cientista José Bonifácio Andrada e Silva. Mas como não houve metas logísticas de crescimento pagamos por um preço alto.

Terminamos, por fim, o ano de 2014. Nova equipe econômica, novos nomes para compor os ministérios... E daí. Quais serão os resultados? Com as recentes denúncias sobre o esquema da Petrobrás veremos que o caldo vai engrossar ainda mais. Saudades de uma era repleta de ideias revigorantes apresentadas por Habermas, Marcuse, Rawls e tantos outros que enriqueceram um século que ficou apenas em lembranças.