quarta-feira, 29 de abril de 2020
sexta-feira, 13 de setembro de 2019
A ignorância vendida por Olavo de Carvalho
A soberba doentia de Olavo de Carvalho é um fato. Vejo nela a expressão da ruína de um século menor, sem a exatidão e leveza apresentada pelo cubano Ítalo Calvino, no seu livro "Seis Propostas para o Próximo Milênio".
Para ser sincero, eu sinto falta das relevantes opiniões do argentino Jorge Luís Borges que, além de ter construído uma obra fenomenal, tinha uma lista de citações de mentalidades poderosas que ainda colaboram na evolução de nossa espécie.
No campo das discussões Olavo de Carvalho tem intervenções medíocres. As suas citações bibliográficas, a sua falácia mentirosa e, principalmente, a sua idiotice política são resultados de uma completa cegueira sobre a nossa condição humana na Terra, assunto bem explicado pelo alemão Thomas Mann, no livro Montanha Mágica.
O falso filósofo foi absorvido por uma turma mentalmente infantil; são órfãos de uma nação fragmentada. Eu prefiro a dialética dos chilenos Francisco Varela e Humberto Maturana que, sem nenhuma dúvida, são intelectualmente consistentes. Olavo usa jargões esquisitos e, acima de tudo, erra nas suas formulações.
Os estudos, as rasas pesquisas, apresentadas por ele provocam enganos históricos e filosóficos. Se estivesse vivo, o alexandrino Eric Hobsbawm teria crises de desespero ao ver as manifestações desse desbocado Chacrinha de uma pós modernidade aflita.
O que diria Umberto Eco, se também estivesse entre nós? Talvez o "ilustre" enganador brasileiro, serviria de objeto de estudos semióticos para o professor italiano.
E o que pensaria o escritor brasileiro Moacir Scliar ao ver as inutilidades e prepotência de um demente corpo em decomposição? Decerto Scliar, o mestre das histórias curtas, criaria uma narrativa sobre os tormentos de um homem repleto de afetações mentais, principalmente quando o assunto é sexo.
É visível como o corpo de Olavo se contorce e a sua voz fica trêmula quando tenta esmiuçar sobre o tema da sexualidade. Será que o "ávido" ideólogo do atual governo, não leu o francês Marquês de Sade, o inglês D.H Lawrence, o japonês Yukio Michima ou o anjo pornográfico Nelson Rodrigues? Se tivesse lido não cometeria falhas nas suas reflexões sexuais.
Enfim, no quesito sexologia, Carvalho decepciona. No mais, sinto que esse senhor se transformará numa das maiores figuras folclóricas do Brasil. O americano William Burroughs deve está rindo desse louco, desse jagunço de palavras vazias, surreais, que tem a insanidade de dizer que Theodor Adorno produziu as letras dos Beatles.
Qualquer dia, o sem noção da cultura pop, vai afirmar que quem escreveu as canções de Oasis e do The Verve foi o escritor americano Philip Roth.
Outro erro feio do velho bruxo é quando ele cita a Escola de Frankfurt, como sendo um centro de diabólicos movimentos criados por uma dialética negativa (sic) que gira em torno das ideias de Adorno, contra tudo e contra todos.
O velho bruxo, o rasputin brasileiro, deveria saber que na Escola de Frankfurt, o alemão Jurgen Habermas desconstruiu a Dialética do esclarecimento de Adorno.
Influenciado pelo austríaco matemático e filósofo Ludwig Wittgenstein e Karl-Otto Apel, Habermas cria a base de novos projetos sócio-políticos de emancipação. Abre espaço para novas discussões sobre diversos temas das humanidades. E Carvalho parece desconhecer este fato.
Aliás, Olavo no seu íntimo sabe que as suas análises não levarão seus discípulos a lugar nenhum na superfície terrestre e, sim, valendo-se de um raciocínio metafísico, provocará um deslocamento de todos eles para os círculos infernais descritos por Dante Alighieri, na sua magistral Divina Comédia, onde reina a ignorância.
No fundo, Carvalho compreende que comete auto engano constante, mas seu desajuste mental lhe dá forças para prosseguir, como se fosse o baluarte da justiça e da verdade. Carvalho é a síntese, um exemplo, de um "projeto" civilizatório que deu errado.
Ele, certamente, seria um personagem coadjuvante da obra de Robert Musil. Um falastrão, sem conteúdo autêntico, como diria Arthur Shopenhauer.
As suas repetições teóricas, embasadas em processos conspiratórios, podem ser bem analisadas na obra de Gilles Deleuze, no seu livro Diferença e Repetição. Suas exposições de ideias no cotidiano se repetem, e parecem se ajustar a um estudo profundo de substratos do pensamento analítico.
Obviamente, Carvalho faz uso de uma retórica de persuasão. E como no Brasil o rito de passagem é uma anomalia cultural, pela ausência de uma educação profunda, o falso filósofo faz uso dessa deficiência para formatar dialéticas sem sustentação real.
terça-feira, 16 de abril de 2019
quinta-feira, 7 de março de 2019
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019
Nixon: o fantasma de Trump
fonte de imagem: Foreian Policy
Mais uma vez a América Latina se torna cenário
das elucubrações farsescas do governo dos Estados Unidos da América, com o
objetivo de mudar o foco dos acontecimentos políticos que rondam como fantasma
a Casa Branca. Um deles, a interferência da Rússia que teria favorecido o
republicano Donald Trump a ganhar as eleições em 2016, e outras mazelas estranhas
ao conceito de evolução das instituições sociais.
Se no passado, o comandante-em-chefe Richard Nixon
(1903-1994) e seu principal auxiliar Henry
Kissinger criaram o terror anticomunista para sustentá-los nas suas
astúcias geopolíticas pelo mundo como, por exemplo, a eliminação do chileno
Salvador Allende (1908-1973), agora é a vez de Donald Trump inventar novos inimigos
regionais, com a conversa tosca de intervenção militar na Venezuela contra Nicolás
Maduro. Com qual pretexto?
Em 1973, Nixon sentia na pele a ruína da
sua popularidade causada pela guerra do Vietnã. Ele e Kissinger resolveram que a
melhor solução para desviar o clima de tensão em solo americano, seria patrocinar
a queda de um presidente considerado socialista. Henry e Richard não deram a
mínima para os conselhos da agência de inteligência que, através de diversos
memorandos, informava que Allende não era uma ameaça regional.
O resultado dessa desastrada estratégia,
que não gerou conseqüências jurídicas para Richard e Henry, é que foram mortas
3.000 pessoas e 28 mil foram torturadas pelo regime de Augusto Pinochet
(1915-2006), um ditador construído sobres os escombros das paranóias
alimentadas por um presidente e um auxiliar ávidos pelo poder.
O economista Francis Fukuyama autor do livro “O Fim da
História e o Último Homem”, transitou como estrela pop na mass mídia durante a
década de 80 e colaborou no governo de Ronald Reagon (1911-2004), tem dito que
os Estados Unidos só tem a perder com a ideia de exportar democracia e mercado
pela força do Exército, mas essa análise não influencia Donald Trump, que prefere
seguir os passos de Nixon.
No
atual contexto dos fatos, eu gostaria de saber exatamente qual é o perigo que Maduro
representa ao mundo dito civilizado? Por acaso, ele ameaça a paz planetária com
ogivas nucleares? Ou, faz churrascos com criancinhas? Como sempre, o
condicionamento midiático, os seus interesses econômicos e ideológicos, com
suas camadas invisíveis, distantes das percepções da realidade cotidiana da
maioria das pessoas, invertem os valores e forjam a realidade, e criam os seus
monstros, apoiados por qual mídia?
Mas isso está nas
entranhas de um poder perverso, perturbado, distante das ideias geniais do francês Alexis de Tocqueville (1805-1859), que
inspirou os princípios da constituição americana, quando o conceito de
modernidade emanava teorias singulares, ou se agitava na evolução dos
pensamentos de Ralph Emerson (1803-1882), com seu
transcendentalismo poético, que mantinha um olhar compromissado com o bem estar
humano. Um ideal que não faz parte dos valores morais do financista Trump.
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