sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Somos frágeis

 

 




Existe algum segredo guardado a sete chaves por traz da existência? Creio que não!!! Não há sobrenatural, fantasmas, espíritos, deuses, anjos, inferno, céu ou outras idiossincrasias criadas pelo homem que esclareça a funcionalidade real da existência. Tudo não passa de estruturas imaginárias que se alimentam de carências afetivas, de fragilidades mentais e de distorções conceituais.

O que temos é um cenário que, na sua vasta extensão cósmica, segue frenético e inatingível nos seus múltiplos efeitos estéticos, sem prestar muita atenção no precário mundo humano e nas suas insuficiências de linguagem como diria Wittgenstein. Não somos capazes de influir em qualquer mudança. Estamos presos e acorrentados em um sistema sensorial danificado e corruptível. Tanto no emocional quanto nas relações coletivas o que presenciamos são alucinações conflitantes, aberrações surgidas da incapacidade de construirmos uma civilização autêntica.

O formato que temos é medíocre. O modelo científico e educacional é uma farsa. Os países considerados como potências econômicas impõem com rigor militar o funcionamento do planeta. As questões de soberania nacional não existem. O que temos são representações de comandos bélicos dominantes voltados para interesses nada poéticos. O romantismo de uma esquerda surgida entres os séculos 19 e 20 fracassaram.

No momento vivenciamos o surgimento de uma delicada operação dos donos do império que definem como muita precisão o controle dos recursos naturais. São empresas transnacionais que atuam longe dos holofotes da mídia e usam as estruturas governamentais e não governamentais para esboçarem os seus arranjos. Perverso? Claro que sim!

Enquanto isto flui em ritmo galopante pelos quatro quantos do planeta, assistimos indefesos grandes corporações adquirindo o controle da água no Brasil. Constituição? Poder Judiciário? Congresso Nacional? Mídia convencional? Servem para quê? Para nada!! É uma ficção acharmos que estamos amparados pela lei e por vozes do além. Falta-nos o equilíbrio de compreendermos qual é a importância do conhecimento estético em nossas vidas. Digamos... Um pensamento mais profundo ensinado por Maurice Merleau-Ponty, sobre o sentido da observação. Bem, aí é uma outra história.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

As singularidas de Gabriella Andrada


 
 
Quem conheceu Maria Gabriella de Andrada Serpa (1919-2014) sabe exatamente qual foi a dimensão humana dessa escritora, memorialista e ambientalista, que durante muitos anos deu vigor estético na preservação de uma das áreas mais importantes de Minas Gerais, que é a Fazenda da Borda do Campo, no município de Antonio Carlos.

Suas atitudes e ideias marcaram várias gerações e, certamente, continuarão a ser referência para as próximas. Espírito lúcido, mentalmente suave e honesto com os valores de uma coexistência gentil, essa mulher se tornou um exemplo de transparência, na mais profunda concepção do termo.

Viveu os seus 95 anos de bem com o mundo e sabia decifrar como ninguém os conceitos chaves que regem a humanidade. O seu conhecimento era profundo. Distinguia com excelentes análises todas as representações ideológicas com sabedoria, e, ao mesmo tempo, praticava uma dialética que estabelecia um contraponto bem articulado e preciso sobre determinada questão. Seu raciocínio era rápido e eficaz. Afinal, ela conviveu ao lado de grandes mentalidades.

Possuía uma visão crítica dos jargões linguísticos e dos seus excessos caricaturais, confrontando-os com um pensamento estruturado em dinâmicas que seguiam o rigor da pesquisa histórica e sociológica, de uma maneira bastante didática. Aliás, a maior parte de sua vida, Gabriella Andrada esteve envolvida com os assuntos relacionados à educação.

Fez graduação em Letras em uma época que o acesso feminino ao ensino superior era raro. Ela teve a oportunidade de ser uma autêntica observadora de muitos acontecimentos, que surgiam frenéticos ao longo do século 20. Presenciou o desabrochar da ciência, o desenvolvimento efervescente da arte moderna e, principalmente, teve a oportunidade de ver de perto fatos curiosos da política nacional.

Assídua leitora dos clássicos da literatura e da filosofia, mesmo tendo influência cosmopolita, não abriu mão das suas origens interioranas e da holística do catolicismo barroco, preferindo se guardar de corpo e alma no lugar que serviu de base para a construção de sua personalidade e a presenteou com novas singularidades, que é a Fazenda da Borda do Campo. Foi neste cenário, localizado no alto da Serra da Mantiqueira, entre os sons encantadores dos pássaros, dos movimentos sutis do vento e de uma extensa biodiversidade na sua fauna e flora, que Gabriela passava o seus dias escrevendo e refletindo.

Eu tive a oportunidade de entrevistá-la quatro vezes. O primeiro encontro ocorreu na primavera de 2001. Foi em uma tarde em que a luminosidade criava uma atmosfera impressionante; e, graças ao ecossistema que cerca todo aquele espaço, foi um dia extremamente revigorante. Falamos de culinária mineira, de presidencialismo, de parlamentarismo, de monarquismo e, sobretudo, de literatura.

Naquela época, a sua irmã Narcisa Andrada estava entre nós. As duas eram inseparáveis e cuidavam como muito zelo na preservação do patrimônio arquitetônico e ambiental da Borda do Campo. Depois me encontrei com Gabriella Andrada em 2002, 2008 e 2009. Todas as entrevistas foram marcantes, pois me deram a chave para compreender como se deu a formação humana e cultural na região, a partir da fundação da Borda do Campo.

Na última entrevista, a memorialista me recebeu em seu escritório. Sentada em sua escrivaninha que pertenceu a Pedro Nava, um presente de sua prima que era casada com o escritor mineiro, ela me contou detalhes sobre os livros que há na fazenda, a origem das pinturas expostas nas paredes, o dia a dia na cozinha, a vida entre a família e muitos outros assuntos interessantes.

O que eu achava bacana é que Gabriella Andrada me escrevia constantemente. Sempre muito cordial e atenta aos temas contemporâneos, sugeria matérias para serem publicadas no Jornal Correio da Serra. Assim como muitas outras pessoas, sentirei saudades de sua presença que nos contagiava com o seu entusiasmo e afeição. Em tempo, também sentirei falta dos livros que ela me presenteava.www.cenadois.blogspot.com

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Rio de Janeiro



Cidade do Rio de Janeiro… Indicada a ser patrimônio da humanidade.

Que maravilha!

Foi nesta cidade que conheci muitas pessoas bacanas, anárquicas, inteligentes e articuladas…

Na década de 80, em Copacabana, jogava baralho com a sambista Leci Brandão (hoje deputada federal por São Paulo); conversava com Grande Otelo; e frequentava uma adega de vinhos na rua Siqueira Campos, que era habitada por artistas, escritores e intelectuais. Também conheci Fausto Fawcett, quando ele fazia sucesso com a música kátia flávia. Mais tarde, na década de 90, de volta ao Rio de Janeiro, me encontro com o escritor Moacir Scliar; e depois de várias horas de boas prosas, mantemos uma relação de amizade por telefone.

Dom Camilo (meu grande amigo), que foi proprietário de um espaço cultural em Copacabana (Clara Nunes, Clementina de Jesus, Xangô da Mangueira, Nelson Cavaquinho, Nelson Sargento e muitas figuras poderosas do samba marcavam ponto neste lugar), me disse que estava cansado do Rio de Janeiro. “A cidade já deu a sua contribuição. Tudo anda muito confuso”. A última notícia de que tive de Dom Camilo é que ele estava residindo em Porto Alegre. Mas na sua bagagem cultural, Camilo traz três livros publicados sobre o povo do Rio de janeiro.

Com mestrado em filosofia e doutor em matemática, Camilo largou Sampa e um emprego promissor (como diretor no Citybank) e partiu para o Rio de Janeiro. Por lá fez amizades com Cartola, Nelson Cavaquinho, Elton Medeiros e Nelson Sargento. Uma observação, Camilo é guitarrista e pandeirista; já tocou com todas essas feras acima citadas. Falo aqui neste blog sobre Camilo porque nos tornamos grandes amigos e ele tem uma leitura profunda sobre o Rio de Janeiro, que poderá chegar a ser patrimônio da humanidade. No fundo ele ama o Rio de Janeiro.

Um outro amigo, o escritor Ronaldo Werneck (que escreve minúcias sociológicas e antropológicas de Copacabana), já publicou um livro fascinante sobre o funcionamento do bairro mais eclético do Rio de Janeiro. Os detalhes da noite, das mulheres, das loucuras e do despojamentos humanos, são bem traçados em uma linguagem clara e bem construída.

O escritor Ronaldo Werneck, hoje um dos maiores nomes da literatura brasileira [atualmente ele reside em Cataguases], me enviou o seu livro “Noite Americana – Dori: Day By Night”. Ronaldo faz parte de um seleto grupo de escritores brasileiros, intelectualmente sofisticados, que alimenta com idéias brilhantes o nosso tumultuado cotidiano.

Ao folhear o livro me deparei com o poema Copacabana. Isso, a bela Copacabana das várias facetas existenciais que ele conhece bem. Só quem viveu com intensidade neste bairro entende o que Werneck diz, pois desvendar esse lugar não é apenas passar os olhos nas suas superficialidades. É um mundo que exige ser explorado com coragem e determinação. Cutucar seus nervos, conhecer suas figuras ilustres, leva tempo. É um espaço geográfico configurado para ser múltiplo. Obviamente há exigências metafísicas para poder se aprofundar nas suas entranhas.


Mas o Rio de Janeiro não é só Copacabana. É muito mais. Neste momento penso em outro escritor, que tive a oportunidade de conhecer pela sua sensibilidade artística de compreender o ser humano com profundidade. Trata-se do escritor  Hélio de Almeida Fernandes. Seu trabalho literário é muito legal, bem elaborado e consegue apresentar resultados incríveis (dentro de um cenário carioca).Há muito o que se falar do Rio de Janeiro… Mas, por enquanto, fico aqui na torcida para ver se ele consegue ser patrimônio da humanidade.

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domingo, 22 de abril de 2012

O ser e suas demandas na evolução humana


www.luizpenna43.wordpress.com




No livro a Era dos Extremos, Eric Hobsbawn apontou como o século XX aniquilou pessoas em nome de uma “razão” grotesca, conhecida como política do “desenvolvimento” econômico. Tudo em nome do “progresso”. No século 21, os modelos de violência são os mesmos. De um lado temos alguns países investindo em novas logísticas e táticas de “defesa”, comprando armas cada vez mais sofisticas para eliminar seus inimigos.
Na cabeça desses republicanos e democratas, o pragmatismo é: dane-se que esses inimigos sejam crianças, mulheres grávidas, adolescentes e jovens mulçumanos. O que está em jogo é a imposição de uma “democracia” (mentirosa) para trazer a paz ao mundo. Do um outro lado, temos o Brasil (e dezenas de países subdesenvolvidos) onde o principal problema continua sendo a falta de acesso a informação. Cada um se vira como pode. Se tudo é “bom”, no lado sul, para que me preocupar com o que acontece no nordeste ou norte. “Eles estão lá, que se virem…”
O mesmo raciocínio acontece no sudeste. “Para que me preocupar se as milicias estão destruindo valores humanos importantes no Rio de Janeiro, se isso não acontece aqui em Minas Gerais?”, dizem alguns. Essa ausência de ética, por parte do nosso modelo contemporâneo, é que afeta a existência. Como é possível uma juíza ser ameaça de morte pelo próprio sistema, ao qual ela pertence?
É o caso da juíza Fabíola Michele Muniz Mendes de Moura, em Pernambuco. Todos sabemos o caso da juíza de Niterói, Patrícia Acioli, que foi assassinada (a mando de pessoas ligadas a polícia militar) fazendo grande parte dos cidadãos a temer quanto ao funcionamento da segurança pública (mesmo com toda a publicidade apresentada de “mudança” com a criação da Unidades de Polícia Pacificadora – UPPs).
Esse é um tema complexo, extremamente delicado, que por hora temos a única conclusão porque ele acontece: falta de educação, investimentos em saneamento básico e acesso a cultura, são alguns dos motivos por haver tantos comportamentos hostis.
Segundo o mapa da violência, de 2010, do Instituto Sangari, a taxa de homicídios no estado do Rio de Janeiro é de 26,2 por grupo de 100 mil habitantes, e a de jovens de 15 a 24 anos é de 52,5 homicídios. Quando o segmento é jovem + negro, o índice salta para perto de 80 homicídios. A Organização das Nações Unidas considera aceitável apenas taxas de menos de 10 homicídios para cada 100 mil habitantes.
No Japão, a taxa de homicídios é de menos de 1 morto para cada 100 mil habitantes. Em clima de início de eleições, quando se começa a observar o que se poderá fazer no futuro, seria interessante se todos começassem a pensar com mais clareza, o que queremos construir (de fato) para as próximas gerações? Ou ela terá características idênticas ao da ficção do Admirável Mundo Novo, escrita por Aldous Huxley (que divide os “civilizados” condicionados dos “selvagens” em busca de caminhos mais lúdicos). É um romance de idéias, onde as questões relacionadas ao funcionamento do totalitarismo de ideologias de esquerda e de direita, apresenta uma dúvida: qual é o melhor caminho para convivermos bem na humanidade? Alguém tem uma resposta?





quarta-feira, 11 de agosto de 2010

COPASA, AGROTÓXICOS E O LIXO




A Copasa e muitas dúvidas

Hoje em Barbacena nós temos questões ambientais muito sérias e tratadas com descaso. Uma delas se refere à Copasa. E eu não estou discutindo aqui se ela tem que ficar ou sair da cidade. A questão é que a Copasa veio para cá, tendo com uma das promessas construir uma moderna Estação de Tratamento de Esgoto, com capacidade para todo o esgoto dos 20 bairros onde ela atua. Três anos já se passaram e até hoje nada.

Hoje a Copasa praticamente tem o controle de toda a água de Minas Gerais. E eu pergunto aqui, esta empresa fez alguma coisa pra proteger as nascentes aqui da nossa cidade, ou dos outros municípios onde atua? Ela faz sistematicamente um trabalho de conscientização das populações ribeirinhas ou dentro das escolas municipais da cidade? Sinceramente, eu não vejo nada disso nem em Barbacena, nem em Antônio Carlos, ou Santos Dumont, por exemplo.

Agrotóxico um problema ambiental
Outro ponto alarmante na nossa região é o uso indiscriminado de agrotóxicos nas nossas plantações. O excesso de agrotóxico deixou de ser há muito tempo um problema de conscientização do uso e de armazenamento e passou a ser considerado um sério problema de saúde pública. Um estudo feito em 2008, aponta as cidade de Carandaí e Barbacena foram as cidades que registraram os maiores índices de intoxicação nos trabalhadores rurais de todo o Brasil. Isto é muito grave pra nossa região! Existem ainda estudos que comprovam que o índice de suicídios aqui na nossa região, tem aumentado, e está diretamente ligado ao uso de agrotóxicos. Minas Gerais é hoje um dos estados que mais consome agrotóxicos.

O lixo nosso de cada dia
Outro problema gravíssimo que Barbacena enfrenta é quanto a destinação do nosso lixo. Temos hoje aqui o chamado Aterro Controlado, que não é nada menos do que um tipo de lixão reformado. Um aterro controlado até torna o local de destinação de resíduos um empreendimento adequado à legislação, porém, continua sendo inadequado do ponto de vista ambiental, já que contamina o solo e o lençol freático. Esse tipo de aterro não pratica medidas para combate à poluição, uma vez que não recebe camada impermeabilizante ideal antes de depositar o lixo, também não trata integralmente o chorume e os gases que emanam da decomposição do lixo. Precisamos de fazer valer a legislação, para que ela puna realmente os assassinos da natureza.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Jingle da campanha




Luiz Penna
O meu voto ninguém diz
Eu mesmo faço
Porque voto no quatro três zero quatro

Do Partido verde
Deputado Federal
Quem não ta preocupado
Com a questão ambiental ?

Cidadania e sustentabilidade
Olho no olho isso que é sinceridade
Cidadania e sustentabilidade
Olho no olho é responsabilidade

Com a Marina
Presidente
Defendendo a cultura
E o nosso meio ambiente

Luiz Penna
Quatro três zero quatro
Nossa alma nacional
No planalto central

domingo, 11 de julho de 2010

Luiz Penna


Eu sou Luiz Penna, mineiro, 46 anos, tenho um trabalho sério na área do jornalismo de desenvolvimento social. Já escrevi mais de 500 reportagens pela periféria nas regiões da Zona da Mata e Vertentes. Como escritor e videomaker [fui selecionado com o meu trabalho "Movimento Terrestre", para participar da Eco-92 - o único mineiro na época]. No rádio produzi programas relacionados com temas culturais e ambientais. Já entrevistei Frei Beto, Lula, Aécio Neves, Moacir Scliar, Eduardo Bueno, João Bosco, Ziraldo, Adélia Prado e mais de 1.000 pessoas que tem alguma coisa a dizer sobre o que pensam sobre esse imenso e vasto mundo. Sou candidato a deputado federal pelo PV e me orgulho de estar ao lado de Marina Silva nesta grande jornada. Tenho uma biografia construída com transparência.

O endereço do meu blog de texto é
https://luizpenna43.wordpress.com/

terça-feira, 6 de julho de 2010

Sou candidato a deputado Federal pelo PV




Porque você é candidato a deputado federal?

Há poucos dias a americana Elinor Ostrom, que recebeu o Prêmio Nobel de Economia em 2009, disse que a base de uma nova transformação econômica virá de associações construídas através da coletividade, sem isso estaremos fadados ao fracasso. Essa virada de página, de uma visão tradicionalista para uma voltada aos benefícios da troca, se faz notar no dia-a-dia. Afinal de contas, vivemos em uma nova era do aprendizado humano, que é o princípio cooperativo. Talvez seja este o momento de valorizarmos projetos relacionados com a arte sustentável, através de uma economia estruturada pelo talento do seu povo, para conquistarmos de fato a nossa cidadania.

Por isso me lanço a candidato a deputado federal pelo PV. Quero atuar em áreas relacionadas com o conceito de desenvolvimento sustentável, que possam abrir novas modalidades no crescimento coletivo.

Seu envolvimento com as questões ambientais começou quando?

O meu interesse pela questão ambiental começou na década de 80, século 20, quando trabalhava na rádio Castelo Branco FM, em Divinópolis, onde tive o privilégio de ter como professor o jornalista Flávio Flora, hoje um dos maiores nomes da intelectualidade mineira, que conhece o tema ambiental com profundidade.

Durante um período atuando no rádio em vários municípios mineiros, fiz alguns programas independentes. Um deles se chamava ZOOM, que veiculou na rádio Sucesso FM no início da década de 90, que apresentava temas do cotidiano: amor, preconceito, corrupção, loucura, meio ambiente e vários assuntos. A poeta Adélia Prado, o chargista Ziraldo, o cantor João Bosco e mais de mil pessoas, foram os entrevistados do ZOOM.

Dessa experiência, apoiada pelo diretor da rádio Sucesso José Rubens, eu produzi alguns documentários: “Que país é este?”, 1990; “Movimento Terrestre”, 1991; “Lugar Nenhum”, 1992; e a história do artista plástico italiano Benine, 1993. Todos esses trabalhos tiveram uma ótima recepção por parte do público. O que teve mais destaque foi o documentário “Movimento Terrestre”[ele foi visto na França, Bruxelas e Canadá], selecionado para representar Minas Gerais na Eco-92, no Rio de Janeiro, entre os mais de cem títulos vindos de várias partes da França e do Brasil.

Rodado e montado inteiramente usando imagens das ruas de Barbacena e das belas paisagens da Serra de Ibitipoca, “Movimento Terrestre” foge das tendências mais voltadas para o cientificismo que predomina nas produções francesas, mas consegue expor com muita clareza quais são os principais problemas ambientais que o homem terá que enfrentar. O corpo de jurados foi composto por Nelson Pereira dos Santos, Ana Magalhães, Grande Otelo, jornalistas e cineastas franceses.

Suas idéias são pontuadas exatamente em quais questões?

Solidariedade com os grupos mais desfavorecidos da sociedade; novas abordagens que possam considerar metas de auto-realização social e coletiva por cima do crescimento econômico e de consumo; participação social, com a meta de elevar a capacidade da população para uma gestão mais responsável e crítica sobre o meio ambiente; auto gestão que amplie a participação popular em programas que gerem crescimento do capital humano; e, sobretudo, a criação de novas dinâmicas regionais que capacite adolescentes e jovens a compreenderem um novo modelo de economia solidária. Vejo que essas questões no atual contexto, são imprescindíveis no avanço da democracia participativa.

Que história é essa de democracia participativa?

Esse é um tema muito importante para se definir uma sociedade cooperativa. Assim como a democracia participativa, precisamos dar ampla ênfase aos conceitos de democracia direta, democracia nas comunidades, reforma política e redefinição democrática. E vejo que isso tudo tem haver com o projeto político do Partido Verde, que agora tem como candidata a presidente da República, Marina Silva.

Me fale sobre sua história no jornalismo impresso

No jornalismo impresso atuo há 25 anos. Mas como cronista e ensaísta, comecei no jornal Cidade de Barbacena, dirigido por Marcelo Gonçalves, tendo Edson Brandão como Chargistas e Sérgio Ayres como redator. Depois disso passei por várias áreas como repórter, fotógrafo, diagramador, redator chefe e editor por alguns jornais da região (Folha de Lagoa Dourada; Folha de Santos Dumont; Folha de Rio Preto; Folha de São Vicente de Minas; Folha de Lima Duarte).

Em 1998 assumi o cargo de editor chefe do jornal Correio da Serra em Barbacena até o final de 2002; em 2003, fui para Juiz de Fora para dirigir o jornal Correio Mineiro (que circulou durante três anos nas regiões da Zona da Mata e Vertentes); em 2006, recebi o convite para assumir a secretaria de comunicação da prefeitura de Barbacena; em 2007, comandei o jornal Correio do Paraibuna, em Juiz de Fora; em 2009, fui convidado para dirigir novamente o jornal Correio da Serra, em Barbacena.

Parece que agora, que o planeta começou a se manifestar com fúria, muita gente está aderindo ao tema verde. Mas tudo isso não pode ser transformar em simples modismo?

O momento exige que tenhamos uma postura mais inteligente, voltada ao conceito de sustentabilidade econômica, que possa abrir novas modalidades de desenvolvimento; se não for assim, poucas pessoas sobreviverão à fúria da natureza. Uma parte das respostas, sem dúvida, vai depender dos resultados das eleições desse ano. E uma das pessoas mais preparadas para enfrentar esta questão no Brasil é Marina Silva, candidata a presidente da República pelo PV. Ela poderá ser o canal de comunicação para mobilizar uma nova discussão na América Latina. Os outros candidatos são precários nestas abordagens. São representantes de uma estrutura política com teores do neoliberalismo. Precismos de uma visão real dos problemas, com um olhar mais sério sobre a função do bioma em nossas vidas. Isso só poderá ocorrer com uma ampla articulação da sociedade, nas suas múltiplas atividades profissionais. O planeta começa a se defender dos abusos provocados pelo homem. E as suas consequências já são sentidas no dia-a-dia. Temas como mudanças climáticas e aquecimento global precisam ser discutidos com interesse coletivo. Se não houver o comprometimento da sociedade, em todas as suas instâncias, vivenciaremos situações mais calamitosas.

Você acredita que há maturidade do povo brasileiro para compreender essas abordagens?

Ao que parece os objetivos do homem comum, agrupados em conceitos culturais e políticos, sempre estiveram voltados aos interesses materiais, cinicamente apresentados por muitos [como jargão] de crescimento social. Esse é um dos pontos apresentados por Thomas Nagel, professor de filosofia do direito na Universidade de Nova Iorque: “o homem vive na ilusão de se contentar com um aparente poder, inútil dentro do ciclo das demandas do mundo contemporâneo, para molestar e destruir o que está em sua volta”.

Dar de ombros aos problemas ambientais alimenta a desqualificação do comprometimento ecológico. Se no passado era uma bandeira de um partido só, no presente a expressão ‘meio ambiente’ se transforma numa causa coletiva, que não tem dono. Sua ideologia deve ser pela busca de uma resposta: “teremos tempo para salvar o planeta?”

E a sua família o apoia nesta jornada?

É uma coisa engraçada, outro dia estive com os meus sobrinhos em Divinópolis e eles me colocaram contra a parede para saber os motivos que me levam a estar na política. Eu simplesmente disse: sou um eterno idealista! Todos riram com ternura. No final falaram que estarão comigo nesta trilha, para o que der e vier. Quem me conhece sabe. Todos esses anos fui uma pessoa ligada a vários movimentos sociais. Grande parte dos representantes populares da região da Zona da Mata e Vertentes, me conhecem. A minha postura sempre foi a de provocar, através da dialética, uma análise crítica das deficiências do Estado, do sistema, em nossas vidas. A minha mulher [´Fernanda Santarosa], que é a principal apoiadora do meu projeto, e por ser uma grande jornalista, me orienta com sabedoria para que eu possa traçar as minhas idéias com o pé no chão, voltado para os princípios do bem estar social.

Conto com o seu apoio

o meu número é 4304

domingo, 4 de julho de 2010

ONDAS



Vou postar durante 20 domingos alguns projetos
Gráficos feitos por mim. Este é o sétimo


terça-feira, 22 de junho de 2010

Uma tarde legal


François Truffaut et Jeanne Moreau, "Jules et Jim", Côte d'Azur, Mai 1961
foto de Claude Azoulay 



 
O meu blog de textos é http://luizpenna43.wordpress.com/
 

Pós-pandemia: um futuro de humanos/máquinas

  Francis Bacon.  Figura com carne O  início desta década de 20 está marcado pela complexidade da dissensão ontológica. Isto é bom ou ruim?...