terça-feira, 24 de maio de 2016

Michel Temer é pior que Washington Luis






Novamente o governo federal se sucumbe pela falta de informação. Ao apresentar as suas medidas para "reduzir os gastos públicos e iniciar a retomada econômica do país", nota-se, como sempre, uma viciada linguagem tecnocrática, encapsulada por teorias ultrapassadas e veneradas como certas, por mentes, que, sem qualquer erro de cálculo, lembram os senhores de engenho.

Percebe-se, nos olhares dos "ilustres ducados", e, principalmente, no de Michel Temer, uma enganação sendo produzida para atender alguns interesses, diga-se, de um mercado fisiologicamente conservador.

Esse plano, arquitetado pelos auxiliares do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, faz lembrar muitos episódios da história brasileira, obviamente com outras narrativas, mas, que se entrelaça por conveniências de grupos econômicos fechados, que não possuem qualquer relação com as atuais demandas planetárias. É um projeto que não vislumbra o desenvolvimento social.

Os argumentos teóricos expostos até agora, na sua conceituação, são temperados por gotículas de fascismo e autoritarismo. Completamente desconectado com a realidade coletiva, Michel Temer é a extensão de algo menor, sem brilho e, sobretudo, sem cultura cooperativa; aliás, esse termo cooperativismo, não faz parte do seu vocabulário.

Passados alguns dias, desde a sua posse como presidente interino, sinto que Temer é pior que Washington Luis (1869-1957), que presidiu o país de 1926 a 1930.
Conhecido como Seu Lulu, o último presidente da República Velha, era advogado, promotor e jornalista. A atriz francesa Gabriele Dorziat dizia que ele tinha os olhos "mais lindos do mundo".

Era um presidente que adorava a boêmia e o carnaval, mas, com todas as suas façanhas popularescas, isso não o ajudou a manejar o leme com destreza. Pelo contrário. Só se viu grandes atrapalhadas, o que abriu brechas para a famosa revolução de 1930, com a entrada de Getúlio Vargas (1882-1954) no poder.

Ao assumir o cargo, em uma das fases mais turbulentas da história, Washington foi engolido pelos seus auxiliares que, entre outras aberrações, não passavam para o chefe os movimentos que ocorriam no país, a partir dos levantes populares. Resultado: o presidente foi destituído e preso no Palácio da Guanabara. Obviamente, era um mundo mais doméstico. Não havia as "complexidades" geopolíticas que estamos vivendo.

Pois bem. Os anos se passaram e muitas coisas mudaram. Menos uma: A ARROGÂNCIA PELA FALTA DE UMA VISÃO POLÍTICA. Logicamente dá para linkar outros exemplos, mas percebo que as
falhas e fracassos de Michel Temer, com os seus ardilosos auxiliares, serão lembrados no futuro, mostrando que foi um homem extremamente provinciano, com o corpo e a alma dominados por um sistema financeiro completamente antidemocrático, que detesta falar sobre DISTRIBUIÇÃO DE RENDA DE RIQUEZAS, QUALIDADE NA EDUCAÇÃO OU NA EVOLUÇÃO DA AGRICULTURA FAMILIAR.

Esse é o mundo Temer. Vazio e sem graça.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Rizoma






Em breve vou lançar "Rizoma - O Círculo do destino e sua ontológicas histórias-", no formato e-book e em livro impresso pela Editora Lesma Poesia. É o meu primeiro romance com um olhar essencialmente feminino, provocativo e, sobretudo, marcado por recortes históricos culturais, políticos e filosóficos.
Alguns depoimentos foram escritos por jornalistas, escritores e editores, para fortalecer as teias rizomáticas do romance. Um deles é do editor e poeta Osmir Lesma Poesia.
"Durante a leitura do livro Rizoma, me veio sempre uma palavra: passagem. Tanto nos lugares – alguns dos quais conheço – e personagens, com frenéticas estações e fragmentos, sempre tive a ideia de movimento segmentado e que alguém controlava o ritmo, no caso o autor. Esse estilo não linear de literatura e memorialística é o alimento básico para leitores cientes de um mundo em constante desconstrução. Ao deparar-me com a substância incolor destes diálogos e cenários tão sem alcance, me atrevi a compreender a distância como encontro. Doce frenesi e identidade. Suspeitei que do outro lado do universo literário alguém ouvia e dialogava com meu ruído interior. Terminei de ler e fiquei pensando, procurando. Como fumaça, nódoa e algodão... Para ser mais impreciso; rizoma puro."

Sem idealismo a loucura se transforma em mercadoria


Eu gosto dos franceses. Em especial Antoni Artaud (1896-1949) e Michel Foucault (1926-1984). O primeiro foi anarquista, poeta, ator, diretor de teatro e um dos maiores nomes para se compreender, de um ponto de vista artístico, as gestualidades internas da loucura; o segundo, um exímio historiador das ideias, filósofo e crítico literário, se articulava em expressões científicas acadêmicas, principalmente nos estudos sobre a teoria da biopolítica.

Os dois sabiam, com exatidão, os processos que geram as diferenças humanas. Eles entendiam que o declínio da cultura ocidental se daria por razões militaristas, sobretudo, focada numa zona obscura do capital voltada para uma servidão humana cruel, iniciada pelo cientificismo alemão nazista a partir da ascensão de Adolf Hitler (1889-1945) e formatada pelos americanos no pós-guerra no governo de Harry S. Truman (1884-1972).

Basta ler “A Era dos Extremos”, Companhia das Letras, escrito por Eric Hobsbaw (1927-2012), para clarear as ideias de como a barbárie se tornou sofisticada numa civilização, incongruente ao modus operandi da natureza, que continua a seguir silenciosamente os interesses de um domínio predatório.

Segundo Hobsbaw, a humanidade sobreviveu. “Contudo, o grande edifício da civilização do século XX desmoronou nas chamas da guerra mundial, quando suas colunas ruíram. Não há como compreender o Breve Século XX sem ela. Ele foi marcado pela guerra. Viveu e pensou em termos de guerra mundial, mesmo quando os canhões se calavam e as bombas não explodiam.”

O século XX também foi “eficiente” para se criar sistemas e instrumentos parasitários de poder. A essência de sua arquitetura, obviamente distante dos olhares cotidianos, foi projetada por centros de pesquisas estadunidenses. Tal referência pode ser encontrada no livro “Futuros Imaginários – Das máquinas pensantes a aldeia global”, de Peter Barbrook. É um caldeirão de valores simbólicos (televisão, rádio, literatura, artes plásticas, música, computadores, internet, celulares e outros utensílios), que se apropriaram de técnicas linguísticas bem elaboradas com o objetivo de controlar.

 George Orwell (1903-1950) que criou o termo Big Brother errou? Não!!! Ele só deu a dica de como a humanidade entraria no seu estágio de misosofia (aversão ao saber) se impulsionando para a esfera de uma passividade mental doentia.


Loucura e domesticação mental
Nesta dinâmica de raciocínio faço uma referência ao livro “A História da Loucura”, de Michel Foucault. Ele apresenta um panorama sobre a edificação da doença mental, criada e estudada nos laboratórios hospitalares, que a projetaria como artefato dentro das estruturas sociais com elaborado apoio governamental e da indústria farmacêutica. E, como não poderia deixar de ser, o território de Barbacena serviu para esse propósito.

Entramos no século XXI com a mente cambaleante. Com aproximadamente 8 bilhões de pessoas, a Terra está sucumbindo. Falta água, aumentam às catástrofes antrópicas (geradas pelo próprio homem), epidemias se alastram pelos quatro cantos do planeta, bilhões de pessoas sem casa ou comida e, principalmente, sem trabalho.

Será que isso não faz parte de uma passividade mental construída, parafraseando Focault, para “vigiar e punir?” Não estaríamos presenciando outro grau da deficiência cognitiva produzida no passado? Neste cenário a loucura e a domesticação mental se transformaram em elementos precisos de manipulação.

Consumismo, preconceito racial, homofobia, dependência tecnológica e química, exploração exponencial dos recursos ambientais, guerras, narcotráfico e tantas mazelas surgidas nos últimos tempos, provam que ainda vivemos na síndrome do mito da caverna, pensado por Platão (427 a. C/347 a.C).

Dá para perceber que o histórico sobre a doença mental não está localizado ou conceitualmente datado. Pelo contrário. Ela está presente em todos os aspectos; no fundamentalismo ideológico ou religioso, podemos detectar suas ações perniciosas. Um asco da insanidade alimentada pelos burocratas.

Outra coisa, não se engane, a doença mental está ganhando vida e se movimenta livre... Do contrário, não teríamos tantas desconfigurações orgânicas pelas nossas cidades. Mas, tudo isso se deve também a preguiça para questionar os problemas que danificam direitos, deveres, valores e propósitos éticos.

Alguns lançam livros, fazem filmes e promovem a loucura como um produto. Quem ganha nesta história? Será que comunidade, no seu todo, se interage sobre esses acontecimentos? Assim como pensava o psiquiatra Vinicius Samara, tragicamente assassinado em Barbacena, que tinha uma abordagem clara sobre a questão? Não!!! Eu conhecia Vinicius e entendia suas ideias. Era uma mente libertadora... Nunca fez marketing sobre o tema, pois sabia que o buraco era mais embaixo. E como é!!!

Isso ocorreu na virada da década de oitenta para noventa, as pessoas não usavam disfarces egocêntricos. A luta antimanicomial tinha um objetivo claro. Questionar os pormenores desse grande drama, com ativa participação de vários atores sociais, com o objetivo de desconstruir a fidalguia de uma medicina que ainda tinha os pés no cientificismo nazista.

Como podem ver... Não era uma tarefa fácil. Contrapor esquemas corruptos e as malandragens do sistema exigia muita coragem. Mas quem se importa com a memória daqueles que não tiveram qualquer relação estatal ou que fizeram algo realmente relevantem sem focar em benefícios próprios?


Isso me lembra quando o psicólogo Jaques Delgado lançou o seu livro “A Loucura na Sala de Jantar”, em 1991, em Barbacena. Seu trabalho realizado em Triste, Itália, que traz referências de Basaglia, Rotelli, Dell’Acqua e Artaud, contribuiu com o processo de uma discussão e implantação por uma nova política pública mental no Brasil. Sua presença na cidade foi marcante. Sua provocação de como devemos abordar a questão da loucura, não como produto comercial, e, sim como algo a ser levado a sério, deveria ser refletida pela nova geração. Do contrário só teremos devaneios e poucas perspectivas de mudança. 

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Fogueira das vaidades criada pela Crimedeia

                                    

O artigo escrito por Maurício Angelo, no site Crimedeia: “Sebastião Salgado, o patrocínio da Vale e a ‘salvação’ do Rio Doce”, segue uma rotina amorfa e sonsa. Ele me lembra alguém que tem muitas dúvidas sobre si mesmo e do mundo. Ainda bem! Se fosse o contrário, o universo observável seria extremamente simétrico e chato. Mas como o século 21 representa o auge do antropoceno, nunca é tarde para diálogos aparentemente insólitos.

Mas a impressão que se tem é que alguém, sejam os financiadores do site crimedeia ou outros balangandans esquisitos, esteja insatisfeito com os movimentos criados por Sebastião Salgado e, principalmente, da visibilidade que o Instituto Terra, em Aimorés, Minas Gerais, ganhou aos olhos do mundo. Exageros? Não!!! Um fato.

Percebi que a maioria dos pontos apresentados pelo burocrático site, que se autointitula “Ministério da Verdade”, uma ideia tirada dos elementos literários de George Orwell (1903-1950), se diz apartidário e sem orientações "ideológicas". Na minha reflexão, esse é um terreno lamacento, ofuscado pela ausência de uma legitimidade conceitual comprometida com a informação.

No seu romance “O Homem sem Qualidades”, Roberto Musil lança essa fagulha: “Não há nenhum pensamento importante que a burrice não saiba usar, ela é móvel para todos os lados e pode vestir todos os trajes da verdade. A verdade, porém, tem apenas um vestido de cada vez e só um caminho, e está sempre em desvantagem.”

Com um viés retórico, disfarçado como inovador de ideias, e, sobretudo, performático em conjecturas contra modelos predatórios, eu não encontrei nenhum artigo, matéria ou ensaio, que aborde temas ambientais relevantes para analises científicas, como por exemplo, a destruição dos rios e dos mares causado pela agricultura animal. Por que será? Ao longo dos últimos anos inúmeros coquetéis de toxinas são lançados na água doce. Que por sua vez tem devastado o mar, que perdeu 50% da sua biodiversidade marinha nos últimos 30 anos. Até agora não vi nenhum ambientalista levantar esta questão.

Aí eu pergunto, só agora o genial escriba Maurício achou o momento adequado para expor seus teores conspiratórios sobre Sebastião Salgado + Banco Mundial + Governo Federal e outras quinquilharias exóticas relacionada com a recuperação do Rio Doce? Que jornalismos é este?  

Crimedeia na verdade é partidário. Partidário da falência de uma visão de mundo... Que seja mais profunda. O site se ampara em notícias de jornais e não possui qualquer bibliografia mais específica sobre o problema que apresenta. Parece encenar recortes epistemológicos para desconstruir o projeto apresentado pelo Instituto Terra; até agora, o único a fazer algo realmente eficaz no Brasil, sem que se perca em subterfúgios de um relativismo cultural hipócrita. Acho que o Maurício deveria buscar fontes interessantes, tais como Enrique Leff, Silvio Funtowicz, Bruna de Marchi, Isabel Carvalho, Jorge Osorio, Rubén Pesci, Daniel Luzzi, Javier Riojas, Joaquim Esteva, Javier Reyes e Maritza Gómez, para melhor avaliar sobre o que fala.

A matéria não apresenta paradigmas satisfatórios e desenvolve uma "lógica", com tons de manipulação, intrinsecamente conservadora ao enveredar por caminhos enunciados como reais. Extremamente cartesiano, o texto tenta criar fôlego, brandindo uma certa arrogância nas informações obtidas pela "antenada legião",  que alfineta o curto tempo que o Instituto Terra teve para apresentar uma resposta rápida para o problema. Ora!!! O instituto é um espaço científico. Essa é a sua função. O jornalista por acaso não sabe como funciona a sistematização para respostas rápidas, no que se refere aos procedimentos contra os impactos negativos?

Em determinado momento o texto tentar conceituar aspectos éticos, relacionais e profissionais de Sebastião com a empresa Vale, como se o fotógrafo estivesse estabelecendo metafísicas canibais com o poder estatal. Cita uma entrevista do fotógrafo em uma determinada mídia européia, onde na ocasião vários ambientalistas protestaram contra a exposição de Salgado por ter o seu trabalho patrocinado pela Vale.

Gostaria de saber os nomes desses ambientalistas europeus. Sabe-se que grande parte deles é extremamente frouxa quanto a questão dos processos corrosivos da agricultura animal. O site, literalmente empobrecido, com base em relatos publicados apenas por jornais, não cita quais serão os impactos positivos que estão sendo orientados pelo Instituto Terra, quanto à preservação das nascentes do Rio Doce.


Sebastião Salgado é economista. Isso não é novidade para ninguém. Quando ele fez doutorado em Paris, com certeza criou vínculos com uma geração que atualmente tem colocado o dedo na ferida no raciocínio dos neo liberais. Creio que pelo seu trabalho e pela sua total lucidez quanto aos problemas do Brasil, ele não teria qualquer motivo para se lançar como uma peça mercadológica. Afinal, Sebastião Salgado tem visão de mundo.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Processos rizomáticos







Ao me lembrar da infância vivida próximo das florestas, das cachoeiras e dos vales, no alto da Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais, percebo o quanto a natureza era abundante nos seus recursos e, principalmente, mais falante com o homem.
Não esqueço das belas sacadas estéticas de suas paisagens; eram aplicativos impressionistas, em territórios ainda férteis, compreendidos maravilhosamente por Oscar-Claude Monet (1840-1926).
Também existiam as introspectivas poéticas de Goethe (1749-1832), que se faziam desafiadoras para muitas mentes que assistiam pouca TV, mas adoravam viajar nas correntes dos efeitos do C20H25N3O, nas noites alucinantes de fartas constelaciones.
As estrelas se transformavam em enigmas... Um jogo de linguagem conhecido apenas por Hermann Karl Hesse (1877-1962), nos seus detalhes ontológicos ultra realísticos. Mas quem lia Hesse na década de sessenta no Brasil? Eram os loucos estudantes de medicina, de engenharia, de direito, de letras, de história, de geografia, de psicologia e de filosofia. Outra coisa, a rapaziada tinha expressões sexuais, apresentadas por William Reich (1897-1957), desnuadamente bem resolvidas.
Isso acontecia exatamente na época que o mundo humano se via no período de transições de valores. Era o final do clássico capitalismo científico, criado por Adam Smith (1723-1790), dando espaço para o crescimento do antropoceno. Uma equação que deixa dúvidas quanto aos fundamentalismo ideológicos estabelecidos durante o séculos 20. Putz!!! Foi nessa fase que surgiu o Consenso de Washington.
Transito pelas insondáveis deduções do materialismo dialético, pedagogicamente utilitário na cabeça de "notáveis" economistas e políticos, e me lanço de coração e cérebro na expansão do universo desenhados mentalmente por Giordano Bruno (1548-1600). Se naquela ocasião, os religiosos não tivessem se intrometido na história, estaríamos mais integrados aos processos naturais e menos mecânicos.
Bem.. Isso são fragmentos. Coisas simples... Rizomáticas... Sem efeitos colaterais. Afinal. essa não é a intenção.

sábado, 17 de outubro de 2015

Que conversa mais tosca é essa?

 
Deu no jornal O Globo, dia 17/10/2015: "Intelectuais divulgam carta conttra pedido de impeachment de Dilma."
  


 
Se esses "intelectuais", "acadêmicos" e preguiçosas mentes de gabinete estivessem preocupados com os rumos éticos das nossas instituições, promoveriam um amplo debate sobre a realidade do Brasil com toda a sociedade. Se fossem realmente sérios, não se restrigiriam em trincheiras datadas, como soberbas mentes heróicas que "lutaram" contra a ditadura. Até parece que isso é sério.
 
Mas, como sempre, essa fina e espessa camada que se considera acima dos seres humanos comuns desviam do assunto principal, no caso a corrupção que assola nossas instituições como erva daninha, para tentarem camuflar as bizarrices construídas por um governo sem brilho, sem um estadista de fato confiável, dizendo que a presidente Dilma Rousself não cometeu erros para um pedido de impeachment.
 
Ora, sejamos francos. O resultado dessa política foi um aumento de quase meio trilhão de reais na dívida pública, que hoje chega a 3,2 trilhões (Revista Piau, outubro de 2015, pág. 44). A economia está em frangalhos. As dimensões dessa crise, criada pelas falsas vias de crescimento econômico abastecidas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para dar suporte a Petrobras com a construção de estaleiros para produzir navios e sondas foi uma completa catástrofe.
 
Os nossos intelectuais acadêmicos são semelhantes aos papagaios, repetidores de uma retórica ruim, chata, que não traz profundidade lúcida do que ocorre no nosso dia a dia. Essa contínua insensatez é resultado de um enfadonho mundo sem ideias originais.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

As deficientes narrativas da Dra.Janaína





  A jurista Janaína Paschoal no Programa Roda Viva 

A advogada Janaína Paschoal não me convenceu em sua entrevista no Programa Roda Viva, da TV Cultura. A palavra "verdade", um adjetivo muito usado por ela, apresenta deficiências históricas sobre o tema em questão. Suas analises se excederam para um campo geopolítico extremamente precário.

Faltou a especialista detalhar que as raízes do capital e da política brasileira sempre deram as cartas ao que deve acontecer por aqui. PT e PSDB seguem a mesma cartilha gramsciana. Já o PMDB, sem comentários.

Tucanos e petistas comungam sobre a manutenção do estamento burocrático e reverenciam as técnicas de controle sobre o povo; como sempre voltadas para novos domínios biopolíticos. Principalmente aqueles que foram bem definidos pelo Consenso de Washinton. Leia-se FMI, Banco Mundial e o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, fundamentadas pelo economista John Williamson. Será que Williamson estudou Adam Smith?

Novamente faltou a professora de Direito da USP esclarecer pontos importantes da construção de regimes autoritários na América Latina. Uma centelha de sociólogos chatos garantem que os russos estão por trás desta história; uma outra facção mais chata ainda, afirma que são os americanos.

A professora prefere o caminho de um dos lados desses fundamentalismos entendiantes, que repito: são extremante defeituosos nos seus conceitos. Sua retórica autoritária como emissária de super juristas, que tem os pés no conservadorismo acadêmico, apresenta uma mensagem confusa.

O programa Roda Viva declinou. Falta gente qualificada para fazer as perguntas certas. Tempos estranhos para a TV Cultura. Tenho saudades das intermediações do jornalista Matinas Tupinambá Suzuki.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

O planeta Terra sobreviverá, nós não!



Clair Patterson (1922-1995)


           Nós, seres humanos, merecemos vários troféus pela nossa persistência para eliminarmos problemas. Durante o pouco tempo que estamos na Terra, conseguimos realizar muitos feitos que, de fato, impressionam.

      A maioria deles, certamente, foi introduzida por pensadores de todos os pontos do globo. São cientistas, poetas, teólogos, filósofos e grandes artistas. Uma jornada magnífica, podemos dizer...

      Mas será que no século XXI, em médio prazo, teremos respostas para que bilhões de pessoas não morram de fome, de sede ou vítimas das turbulências climáticas que estão por vir com fúria? Saberemos compreender os reflexos do conhecimento construído no passado por essas mentalidades poderosas?

      O mundo deixa de ser surpreendente quando cai na areia movediça do caos político que, infelizmente, abrigam esfarrapados e inúteis ideias, retrógradas no contexto da evolução da vida; definitivamente, a camada mais predatória da nossa espécie ainda define os rumos das nações.

      Se fosse diferente, não assistiríamos passivos a degradação sucessiva das florestas e a acidificação dos oceanos provocada pelo aumento do dióxido de carbono (C0²) na atmosfera terrestre. O analfabetismo ecológico é crônico. Sua generalização não tem precedentes na nossa história.

      A alienação, o medo, as exaustivas manifestações pelas redes sociais e pelas ruas do país, são orquestradas e se amparam na massificação de interesses desconhecidos do grande público, quanto ao jogo dos donos do capital... Digam-se, banqueiros.

      Os novos mitos, da galera plastificada, não passam de alucinantes e entorpecidas falácias programadas por partidos políticos, que almejam o quê exatamente? Uma coisa, se me lembro bem, que já foi descrita por George Orwell (1903-1950), no seu livro “A Revolução dos Bichos”.

       Somos tão sonâmbulos sobre os processos históricos, biológicos, químicos, geológicos, matemáticos e econômicos, que esquecemos algumas ações que beneficiaram a humanidade. Certamente sem elas, os impactos negativos da biodiversidade planetária estariam muito pior, colaborando para a nossa extinção imediata.

        E uma pessoa fundamental para que estejamos sãos e salvos, capazes de usufruir o que a natureza nos proporciona no presente é Clair Patterson (1922-1995). Ele teve comprometimento, ética e, acima de tudo, competência argumentativa para derrubar os interesses perversos da indústria automobilística.

      Geoquímico, Patterson fez sua graduação no Grinnell College, Lowa. Recebeu seu Ph.D na Universidade de Chicago e toda sua vida profissional rolou no California Institute of Tecnology. Na década de cinquenta, o seu trabalho para calcular a idade da Terra com a comparação de medidas de meteoritos e minerais é a mais precisa até hoje encontrada, de aproximadamente de 4,5 bilhões.

       Na década de 60 ele colocou a indústria automobilística e a do petróleo de joelhos. Enfrentou cientistas, que apoiavam a ideia que o chumbo na atmosfera não trazia malefícios a saúde humana e um competente esquema de lobby industrial, mantido juridicamente por escritórios poderosos.

      Sua pesquisa durou décadas. Ele conseguiu provar a opinião pública e o governo dos Estados Unidos que estava certo. O chumbo, naquela época, foi vetado como um dos compostos na gasolina.

     Atualmente, a história se repete. De um lado há os cientistas que mostram um cenário completamente fragilizado. Não sejamos otimistas. O planeta Terra já perdeu 50% da sua biodiversidade marinha; do outro lado, outros cientista argumentam que estamos no caminho da prosperidade, e que tudo não passe de meras especulações de ambientalistas radicais. Será?

    Quem está com a razão? Bem... Basta olhar ao nosso redor e ver que a instabilidade no planeta tem gerado conflitos profundos; grande parte da nossa economia depende da água, de terras férteis para plantios e criação de animais. No Brasil, por exemplo, que seguiu a cartilha da produção da soja, com um olhar nesse dito progresso, o que se vê é a total eliminação de sistemas de vida, essenciais para o equilíbrio do meio ambiente.

   O planeta está no seu final? Não! Nós é que estamos. Ele pode ser recriar daqui a 10 milhões... 100 milhões... Nós não! Somos precários, limitados e dependemos dele para sobrevivermos. Ainda assim, os seres humanos tentam destruí-lo para satisfazer seus desejos materiais. Há alguma racionalidade nisto?  

quinta-feira, 30 de julho de 2015

A imprensa nossa de cada dia


 

 
Definitivamente estamos na fase do jornalismo declaratório. Ou seja, a fonte é bastante duvidosa, sem escrúpulos e sem qualquer vínculo com as dinâmicas da democracia. O foco se concentra na destruição alheia e que se danem todos. Este comportamento insano, alimentado pela grande mídia, criou força a partir da década de 90 e cresceu assustadoramente no século 21.
 
No geral as matérias são superficiais e não possuem fundamentos éticos que comprovem a veracidade das denúncias apresentadas. Isto destrói drasticamente a reputação de pessoas inocentes, que se tornam réus de um simulacro “circense”. Tudo se transforma em um espetáculo mediático.
 
A falta de vigor investigativo e, principalmente, a eliminação de técnicas jornalísticas bem fundamentadas, tem sido assunto de alguns profissionais sérios. É o caso do escritor, jornalista, repórter de televisão, Caco Barcellos. Ele levanta questões importantes sobre isto, ao refletir a importância de apurar uma determinada denúncia com profundidade ao ouvir fontes legítimas, que não sejam simplesmente declaratórias.
 
Recentemente, o escritor italiano Umberto Eco lançou o livro “Número Zero”. É um romance que faz uma análise do charlatanismo produzido por um grupo de redatores, que tem o objetivo de chantagear, de difamar e de prestar serviços duvidosos ao seu editor. É um manual do mau jornalismo e de como tudo é muito inconsistente quando a meta é vender a notícia como mercadoria.
 
Mas há outros livros provocativos, quanto à deficiência jornalística. “O Jornalismo Canalha” e “Showrnalismo – a notícia como espetáculo”, escritos por José Arbex Jr., são referências de como a imprensa anda mal das pernas. Arbex é um conceituado jornalista, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e doutorado em história, que teve como orientador Nicolau Sevcenko (1952-2014).
 
Seguindo o mesmo raciocínio do sociólogo e filósofo francês Jean Baudrillard (1929-2007), José Arbex Jr, assume uma posição crítica sobre a cobertura jornalística da invasão do Iraque pelos Estados Unidos da América e Grã Bretanha em março de 2003, dizendo que tudo não passou de um grande espetáculo, rarefeito no seu conteúdo, que apenas prestava seus serviços aos interesses do Pentágono.
 
Outra questão é a vulgaridade da linguagem midiática. Recentemente vi o conflito de opiniões entre o jornalista Ricardo Boechat e o pastor Silas Malafaia. Os dois se atacaram com palavras ofensivas. Um episódio negativo e sem nexo, principalmente pela história construída por Boechat, que disse que não daria bola para Malafaia e que ele deveria “procurar uma rola”. Foi rídiculo!!
 
São nestes momentos que queria ser da geração, da década de 1970, que ouvia com prazer os debates entre Noam Chomsky e Michel Foucault (1926-1984). Era um exercício dialético profundo, excepcional, com temas que passavam pela política, biologia, processos linguístivos e outros assuntos fundamentais para a civilização sem qualquer afetação intelectual. Era uma época demasiadamente humana e menos mecânica.nação em frangalhos. Logicamente há uma grande distância que separa os dois pensadores, do pastor e do jornalista.
 
Atualmente, para a infelicidade do conhecimento, muitas pessoas tem agido segundo os Códigos de Hamurabi, “dente por dente, olho por olho”. É só lermos ou ouvirmos as opiniões de Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, Raquel Sheherazade e Olavo de Carvalho, para sentirmos o quanto essas vozes carregam consigo excessos delirantes na linguagem mediática, como se fossem os escolhidos para ordenar a nossa cultura.
 
Neste quadro tão estranho e amorfo, me lembro de Hannah Arendt (1906-1975) e de suas palavras: “As mentiras sempre foram consideradas instrumentos necessários e legítimos, não somente do ofício do político ou do demagogo, mas também do estadista”. Seguindo a citação da pensadora judia, a mentira também se torna instrumento de muitos profissionais da mídia, que se deleitam em um mundo de ruínas, apocalíptico, e convictamente fundamentado por uma nova concepção de direita. A quem eles querem enganar?
 
 

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Sinais conscientes de uma mente brilhante

 
 

 
 
O poeta mexicano Octavio Paz (1914-1998) foi uma das mentes mais lúcidas que tivemos. Diplomata, ensaísta, tradutor e premiado com o Nobel de Literatura em 1990, ele construiu uma linguagem própria e extremamente eficiente do ponto de vista prático. Seus textos eram concisos e objetivos.
Paz morou em vários países e era amigo de grandes intelectuais do século 20, entre eles o surrealista André Breton (1896-1966), que t...ambém foi um dos maiores poetas do seu tempo.
Mas os sinais de lucidez de Octavio Paz ultrapassavam as camadas simplórias dos pensamentos medianos. Tanto é que sua obra é amplamente estudada por grandes pesquisadores da linguagem.
É importante frisar que o poeta, em sua reflexões, dizia que o mundo civilizado se encerraria de fato no século 20. Ou seja, o que as gerações do século 21 presenciariam, seriam apenas pequenos fragmentos soltos no espaço.
Nas suas proposições filosóficas, estruturada por elementos poéticos, Octavio Paz nos alerta sobre a barbárie existencial que mergulharíamos. Que não são poucas!!!
Pelo que noto, suas ideias tinham consistência profética.
Percebam isso: O fascismo retornou com força... Degradando a lógica da evolução. Ele, o fascismo, brota feroz como um vírus sem cura. É só observarmos os movimentos do capital global, sendo gerenciado com mão de ferro pelo FMI e Banco Mundial. A equação é a mesma. O domínio, o controle, se define em pequenos grupos.
Outra coisa, a ideia de uma visão realmente ecológica, se transformou num mercado que alimenta as contas bancárias de falsos ambientalistas. Vivemos em uma ilusão de transformação. Quer mais: A dita "nova revolução tecnológica", é excludente... A sua plataforma e recursos são brinquedos para uma multidão de milhares de pessoas, que não conseguem ler um livro.
São tempos que rolam soltos e se perdem velozes no horizonte. Os labirintos são maiores, mais perigosos e cruéis.

Pós-pandemia: um futuro de humanos/máquinas

  Francis Bacon.  Figura com carne O  início desta década de 20 está marcado pela complexidade da dissensão ontológica. Isto é bom ou ruim?...