terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Nada de Novo



 
 
O ministro da Fazenda Joaquim Levy é no momento a figura pop do governo Dilma. Vários setores da economia nacional e internacional têm aplaudido as suas opiniões e o seu temperamento tecnocrático. Suas falas e o seu comportamento, com todo um gestual polidamente acadêmico, demonstram solidez nos argumentos apresentados, mas, mesmo com tantos elogios mediáticos, até agora a “nova” dinastia da pasta mais cobiçada da esplanada dos poderes, não sinalizou reformas consistentes no plano social.

Lobos famintos desse capitalismo selvagem, representados por banqueiros e empresários, vibram com as novas expectativas lançadas pelo atual comandante dos cofres públicos e regulador das finanças do estado. Somente eles, pois na geral ninguém sabe exatamente o sentido dos discursos do novo ministro, que tem um tom definitivamente pragmático e conservador. Nada utilitarista.

O governo, nos bastidores, mantém com pulso firme o submundo das suas relações entre aqueles que tem a chave do caixa dois. Toda a estrutura projetada para ludibriar a Polícia Federal e o sistema judiciário estão presentes. Não podemos nos esquecer que as máximas aplicadas ao longo dos anos pelos tucanos e petistas é, na sua essência, Gramsciana. E Joaquim Levy, não saíra do trilho. Suas dinâmicas de ações são ordenadas por um grupo fechado. Ele recebe a mensagem e as concretiza. Para qual finalidade? Uma delas, fortalecer Lula para 2018.

Com toda certeza, Aécio Neves vai querer ser candidato. É novo e tem energia. Mas conseguirá segurar a onda sem ter o domínio da máquina do seu estado? Sua voz e do seu príncipe Antonio Anastasia serão ouvidas por uma pequena fatia da classe média. Não terão potência para criar um cenário promissor. Vão nadar contra a corrente. Farão história? Possivelmente, mas será muito barulho por nada.

Voltando ao ministro da Fazenda Joaquim Levy, sua missão será acalmar os nervos do mercado interno, estabelecer diretrizes para confrontar os economistas de oposição e, acima de tudo, projetar um quadro que favoreça o seu chefe maior, que é Lula. Portanto, nada de novo em 2015.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Estagnação Mental

 
 
 
 
 
 
 
A ignorância política existe quando as ideais se fundamentam em uma única verdade partidária. Esse é um dos maiores problemas dos países convergentes, no caso o Brasil, que perdem parte do seu tempo em disputas que não tem qualquer conexão com questões realmente relevantes. Tudo muito paroquial.
 
O fato é que a oposição é uma fábula. Uma farsa!!! Sinto vergonha ao olhar o cantor Lobão ao lado de Ronaldo Caído protestando contra o governo; também fico incomodado, ao ver intelectuais floreando palavras a favor de Dilma Rousseff. Na outra via, percebo uma completa ausência de argumentos, por parte do grupo de Aécio Neves, para traçar uma linha de raciocínio bem elaborada capaz de criar um contraponto eficiente.
 
Estagnação econômica, falta de uma logística para a distribuição de renda, queda na qualidade de ensino e aumento do desemprego, são os fantasmas que rondarão o ano de 2015. Não há perspectivas. Se elas existem, talvez estejam voltadas para o fortalecimento da estrutura do estado, para que ele tenha mais domínio econômico e político. Fora isso, nada de novo!!! Quando vi a foto dos novos ministros me deu náuseas. Aí eu pensei: "Será que estou vivendo um terrível pesadelo?"
 
Ao constatar que meu corpo definitivamente está preso em uma engrenagem porca e insuficientemente medíocre, incapaz de mudar os rumos da história, fico mais indignado ao saber que nos bastidores, os partidos começam a esquentar suas máquinas para arquitetar uma nova geopolítica na federação com as eleições municipais de 2016. Pode!? Os comentários é que o PMDB, insatisfeito com o governo pela baixa de seus representantes em cargos estratégicos, sairá em campo para ter o maior número de prefeituras. E os projetos voltados ao crescimento, a evolução do estado e do legislativo? São varridos para debaixo do tapete. 
 
Assistimos indefesos o crescimento do número de pessoas que não tem interesses por livros, por história, por pesquisa ou por assuntos comprometidos com mudanças. De fato o ano que começa é extremamente maçante e superficial. Alguém pensa ao contrário?

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Quid sir deus e outras questões


 
 
 
Quid sir deus. Afinal o que é Deus? Uma pergunta que definitivamente não tem solução. Mesmo que teólogos arquitetem fórmulas de uma existência divina ou mecanismos enigmáticos sobre a presença de um ser onipotente, com comando na estrutura cósmica, ainda estamos muito aquém da possibilidade de sabermos exatamente, em uma máxima compreensão intelectual, alguma verdade sobre esse assunto.

Por vários séculos esse processo tecnicista foi milimetricamente pensado dentro de um modelo cartesiano, se estabelecendo como controlador das sensações humanas. Assim, foram se formando fragmentos civilizatórios, impulsionados por um fundamentalismo cristão que se ampara em belos efeitos estéticos na sua linguagem mitológica e, que, obviamente se tornou um simulacro comercial, até mesmo no campo das ciências exatas.

O que mais assusta é como o poder político e econômico se apropriou disso na corrente do tempo, formatando um domínio vertical na sua lógica de controle. Lembremos: o mundo Ocidental destruiu grande parte da cultura Oriental. Produziu guerras, massacrou famílias tradicionais e queimou bibliotecas para deter, com força, o acúmulo milenar de um rico conhecimento muito superior aos dos cristãos. Nesta perversa carnificina a humanidade foi se adaptando aos enredos impostos. E, sobretudo, mentindo para si mesma sobre o que realmente importa para as suas vidas.

No meio desta curvatura histórica encontramos a filosofia que gerou a ciência de como se pensar a política. Só que até agora, passando pela revolução francesa, americana, inglesa e outras tantas que ocorreram por aí, não conseguimos articular um regime que satisfaça o homem por completo. Por que será? Falta algo para incrementar essa inteligência movida pelas negociações de grupos?

Em dado momento da história Platão disse que o político deveria ser versado em poesia, matemática e em metafísica para atuar como legitimo representante do povo; na outra arena, Aristóteles acreditava que para ser político o homem necessitava de habilidades práticas. Bem... Os anos se passaram e ambos podem ter errado... Porque até agora, não conseguimos decifrar qual o valor exato da veracidade de um N’est pás? (Quem é um estadista?). Uma questão para a próxima reflexão.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Somos idiotas?

 
Obra de Iberê Camargo – A Idiota
 
 Vivemos em uma “nova” ordem mundial? A resposta é simples: Não!!! Sem uma perspectiva de inovações humanas nos destruímos todos os dias. Se tivéssemos dado mais atenção ao processo darwinista, talvez a humanidade não estivesse tão embrutecida. O desleixo de cair nas armadilhas da ideologia cristã causou estragos na nossa evolução.

Pois bem, voltando à análise sobre essa "nova" ordem mundial que se apresenta nessa rebuscada realidade, o que posso dizer é que ela é extremamente careta, estranha e sem conteúdo. No Brasil, por exemplo, assistimos a estagnação histórica da política. Os fatos são danosos. Estruturas corruptas anulam o seu crescimento.

A ausência de instituições sérias coloca em risco a nossa liberdade de desenvolvimento coletivo. Com isso ficamos entregues as barbáries de uma hipocrisia insana. Por outro lado, temos a perniciosa falta de uma discussão intelectual sobre o que acontece por aqui. É bom que se diga que a dita classe pensante não existe. A maioria é conivente com o que acontece.

É um drama! Peculiar a nossa estúpida e mesquinha cultura. O aniquilamento de um raciocínio mais amplo criou um ridículo cenário. O estado perdeu sua capacidade de gerir com mais responsabilidade seus recursos econômicos. E seus ideólogos acreditam que são gramscianos. O que diria Paolo Pasolini desse quadro?

Em outra via temos a desmontagem de serviços essenciais ao ser humano. Um deles o acesso à água. Vários rios estão doentes e as matas fragmentadas. E olha que isso já tinha sido comentado no período colonial pelo cientista José Bonifácio Andrada e Silva. Mas como não houve metas logísticas de crescimento pagamos por um preço alto.

Terminamos, por fim, o ano de 2014. Nova equipe econômica, novos nomes para compor os ministérios... E daí. Quais serão os resultados? Com as recentes denúncias sobre o esquema da Petrobrás veremos que o caldo vai engrossar ainda mais. Saudades de uma era repleta de ideias revigorantes apresentadas por Habermas, Marcuse, Rawls e tantos outros que enriqueceram um século que ficou apenas em lembranças.
                       

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Perda da racionalidade


 
Estamos nos aproximando de 2015. A sensação que eu tenho é que o mundo não passará por grandes transformações. Tudo estará focado, mais uma vez, em agendas conservadoras e excludentes. Não é novidade para ninguém que vivemos enclausurados em novas fórmulas autoritárias de domínio. Recuamos a invés de avançarmos.

No Brasil, por exemplo, o governo paga caro para adquirir o know-how bélico e estratégico de Israel. O país investe em pesquisa militar e na compra de modelos de segurança, mas não resolve o problema de saneamento básico e do meio ambiente. A perversidade econômica, com suas práticas liberais, estrangula qualquer mudança com viés humanista.

Sabe-se que os países, detentores do poder geopolítico, não fazem mais guerras convencionais. Isso não dá mais voto! O que está em jogo é a eficiência para eliminar os inimigos silenciosamente, ou seja, por vias tecnológicas e por estruturas prisionais sofisticadas construídas em áreas distantes do olhar da sociedade.

O maior problema de tudo isso é que todos mentem. A conivência existe em todos os planos da sociedade. Alastra-se como vírus, eliminando valores e identidades culturais. Apesar dos arranjos performáticos pensados pela mídia, para ganhar bônus em visibilidade, tudo está pulverizado em enredos virtuais. O real perde sua dinâmica em um mundo rarefeito.

Todos os discursos são baseados em linhas milimetricamente articulados para enganar o cidadão comum. Na esfera das decisões o que se vê na prática é uma engenharia montada para servir canibais mercantilistas, especuladores de uma ordem econômica destrutiva, com aval de países que comungam com os interesses dos Estados Unidos.

Uma engenharia colaborativa feita para governos ditos oficiais e paralelos. Assim assistimos, paralisados em nossas dimensões fechadas, a destruição do planeta. E os cientistas? Bem, esses continuam a comer na mão dos piratas do capital. A maioria das pesquisas é feitas, única e exclusivamente, a favor de um sistema de comando. Já o sistema dos seres vivos... Não parece ser uma prioridade racional.

domingo, 16 de novembro de 2014

Virada de página

                                       
Imagem de Oswaldo Goeldi 

 O capitalismo está em desconstrução? Estamos às portas de um longo espectro autoritário global? Uma pequena parcela da humanidade continuará a comandar os processos econômicos no mundo? Bem... São questões que nos fazem pensar se a representatividade governamental tem algum valor neste estranho cenário.

Na opinião do sociólogo alemão Wolfgang Streeck, diretor do Instituto Max Planck para o Estudo das Sociedades, vivemos em um grande dilema se o capitalismo terá o seu fim ou se manterá como está, aberto para as alucinantes ideias de uma conjuntura neoliberal?

“Mais do que em qualquer momento desde o fim da Segunda Guerra Mundial, há hoje em dia um sentimento generalizado de que o capitalismo está em estado crítico”, escreveu Streeck para a revista New Left Review, artigo também publicado pela revista Piauí.

Neste emaranhado e perverso enredo, o que podemos esperar desses modelos tecnocráticos? Creio que nada!!! Numa linha Nietzschiana de que deus está morto, também sinto que definitivamente todas as ideologias foram enterradas. Para sempre!!!

Sem luz no fundo do túnel? Não serei tão pessimista. O que eu disse até agora é que os modelos acima apresentados se encerram por absoluta falta de consistência. No momento prefiro o raciocínio do professor de Sociologia na Sorbonne, Michel Maffesoli, diretor do Centro de Estudos sobre o Imaginário. “Nossa época vive uma mudança de paradigma, de mudança de sistema de valores”, disse ele em entrevista ao jornal O Globo, dia 8/11.

Com a chegada do Natal e Final de Ano há uma total preguiça para se praticar qualquer mudança. Somente em 2015, depois do Carnaval, vivenciaremos as insatisfações populares brotarem vivas pelas redes sociais e pelas ruas. Veremos o que irá acontecer... Mas no geral, tudo não passa de esboços programados por setores políticos. Simulacros de ações criados com falsas ideias de resistência. Sinto falta da releitura de Michel Foucault.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Somos frágeis

 

 




Existe algum segredo guardado a sete chaves por traz da existência? Creio que não!!! Não há sobrenatural, fantasmas, espíritos, deuses, anjos, inferno, céu ou outras idiossincrasias criadas pelo homem que esclareça a funcionalidade real da existência. Tudo não passa de estruturas imaginárias que se alimentam de carências afetivas, de fragilidades mentais e de distorções conceituais.

O que temos é um cenário que, na sua vasta extensão cósmica, segue frenético e inatingível nos seus múltiplos efeitos estéticos, sem prestar muita atenção no precário mundo humano e nas suas insuficiências de linguagem como diria Wittgenstein. Não somos capazes de influir em qualquer mudança. Estamos presos e acorrentados em um sistema sensorial danificado e corruptível. Tanto no emocional quanto nas relações coletivas o que presenciamos são alucinações conflitantes, aberrações surgidas da incapacidade de construirmos uma civilização autêntica.

O formato que temos é medíocre. O modelo científico e educacional é uma farsa. Os países considerados como potências econômicas impõem com rigor militar o funcionamento do planeta. As questões de soberania nacional não existem. O que temos são representações de comandos bélicos dominantes voltados para interesses nada poéticos. O romantismo de uma esquerda surgida entres os séculos 19 e 20 fracassaram.

No momento vivenciamos o surgimento de uma delicada operação dos donos do império que definem como muita precisão o controle dos recursos naturais. São empresas transnacionais que atuam longe dos holofotes da mídia e usam as estruturas governamentais e não governamentais para esboçarem os seus arranjos. Perverso? Claro que sim!

Enquanto isto flui em ritmo galopante pelos quatro quantos do planeta, assistimos indefesos grandes corporações adquirindo o controle da água no Brasil. Constituição? Poder Judiciário? Congresso Nacional? Mídia convencional? Servem para quê? Para nada!! É uma ficção acharmos que estamos amparados pela lei e por vozes do além. Falta-nos o equilíbrio de compreendermos qual é a importância do conhecimento estético em nossas vidas. Digamos... Um pensamento mais profundo ensinado por Maurice Merleau-Ponty, sobre o sentido da observação. Bem, aí é uma outra história.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

As singularidas de Gabriella Andrada


 
 
Quem conheceu Maria Gabriella de Andrada Serpa (1919-2014) sabe exatamente qual foi a dimensão humana dessa escritora, memorialista e ambientalista, que durante muitos anos deu vigor estético na preservação de uma das áreas mais importantes de Minas Gerais, que é a Fazenda da Borda do Campo, no município de Antonio Carlos.

Suas atitudes e ideias marcaram várias gerações e, certamente, continuarão a ser referência para as próximas. Espírito lúcido, mentalmente suave e honesto com os valores de uma coexistência gentil, essa mulher se tornou um exemplo de transparência, na mais profunda concepção do termo.

Viveu os seus 95 anos de bem com o mundo e sabia decifrar como ninguém os conceitos chaves que regem a humanidade. O seu conhecimento era profundo. Distinguia com excelentes análises todas as representações ideológicas com sabedoria, e, ao mesmo tempo, praticava uma dialética que estabelecia um contraponto bem articulado e preciso sobre determinada questão. Seu raciocínio era rápido e eficaz. Afinal, ela conviveu ao lado de grandes mentalidades.

Possuía uma visão crítica dos jargões linguísticos e dos seus excessos caricaturais, confrontando-os com um pensamento estruturado em dinâmicas que seguiam o rigor da pesquisa histórica e sociológica, de uma maneira bastante didática. Aliás, a maior parte de sua vida, Gabriella Andrada esteve envolvida com os assuntos relacionados à educação.

Fez graduação em Letras em uma época que o acesso feminino ao ensino superior era raro. Ela teve a oportunidade de ser uma autêntica observadora de muitos acontecimentos, que surgiam frenéticos ao longo do século 20. Presenciou o desabrochar da ciência, o desenvolvimento efervescente da arte moderna e, principalmente, teve a oportunidade de ver de perto fatos curiosos da política nacional.

Assídua leitora dos clássicos da literatura e da filosofia, mesmo tendo influência cosmopolita, não abriu mão das suas origens interioranas e da holística do catolicismo barroco, preferindo se guardar de corpo e alma no lugar que serviu de base para a construção de sua personalidade e a presenteou com novas singularidades, que é a Fazenda da Borda do Campo. Foi neste cenário, localizado no alto da Serra da Mantiqueira, entre os sons encantadores dos pássaros, dos movimentos sutis do vento e de uma extensa biodiversidade na sua fauna e flora, que Gabriela passava o seus dias escrevendo e refletindo.

Eu tive a oportunidade de entrevistá-la quatro vezes. O primeiro encontro ocorreu na primavera de 2001. Foi em uma tarde em que a luminosidade criava uma atmosfera impressionante; e, graças ao ecossistema que cerca todo aquele espaço, foi um dia extremamente revigorante. Falamos de culinária mineira, de presidencialismo, de parlamentarismo, de monarquismo e, sobretudo, de literatura.

Naquela época, a sua irmã Narcisa Andrada estava entre nós. As duas eram inseparáveis e cuidavam como muito zelo na preservação do patrimônio arquitetônico e ambiental da Borda do Campo. Depois me encontrei com Gabriella Andrada em 2002, 2008 e 2009. Todas as entrevistas foram marcantes, pois me deram a chave para compreender como se deu a formação humana e cultural na região, a partir da fundação da Borda do Campo.

Na última entrevista, a memorialista me recebeu em seu escritório. Sentada em sua escrivaninha que pertenceu a Pedro Nava, um presente de sua prima que era casada com o escritor mineiro, ela me contou detalhes sobre os livros que há na fazenda, a origem das pinturas expostas nas paredes, o dia a dia na cozinha, a vida entre a família e muitos outros assuntos interessantes.

O que eu achava bacana é que Gabriella Andrada me escrevia constantemente. Sempre muito cordial e atenta aos temas contemporâneos, sugeria matérias para serem publicadas no Jornal Correio da Serra. Assim como muitas outras pessoas, sentirei saudades de sua presença que nos contagiava com o seu entusiasmo e afeição. Em tempo, também sentirei falta dos livros que ela me presenteava.www.cenadois.blogspot.com

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Rio de Janeiro



Cidade do Rio de Janeiro… Indicada a ser patrimônio da humanidade.

Que maravilha!

Foi nesta cidade que conheci muitas pessoas bacanas, anárquicas, inteligentes e articuladas…

Na década de 80, em Copacabana, jogava baralho com a sambista Leci Brandão (hoje deputada federal por São Paulo); conversava com Grande Otelo; e frequentava uma adega de vinhos na rua Siqueira Campos, que era habitada por artistas, escritores e intelectuais. Também conheci Fausto Fawcett, quando ele fazia sucesso com a música kátia flávia. Mais tarde, na década de 90, de volta ao Rio de Janeiro, me encontro com o escritor Moacir Scliar; e depois de várias horas de boas prosas, mantemos uma relação de amizade por telefone.

Dom Camilo (meu grande amigo), que foi proprietário de um espaço cultural em Copacabana (Clara Nunes, Clementina de Jesus, Xangô da Mangueira, Nelson Cavaquinho, Nelson Sargento e muitas figuras poderosas do samba marcavam ponto neste lugar), me disse que estava cansado do Rio de Janeiro. “A cidade já deu a sua contribuição. Tudo anda muito confuso”. A última notícia de que tive de Dom Camilo é que ele estava residindo em Porto Alegre. Mas na sua bagagem cultural, Camilo traz três livros publicados sobre o povo do Rio de janeiro.

Com mestrado em filosofia e doutor em matemática, Camilo largou Sampa e um emprego promissor (como diretor no Citybank) e partiu para o Rio de Janeiro. Por lá fez amizades com Cartola, Nelson Cavaquinho, Elton Medeiros e Nelson Sargento. Uma observação, Camilo é guitarrista e pandeirista; já tocou com todas essas feras acima citadas. Falo aqui neste blog sobre Camilo porque nos tornamos grandes amigos e ele tem uma leitura profunda sobre o Rio de Janeiro, que poderá chegar a ser patrimônio da humanidade. No fundo ele ama o Rio de Janeiro.

Um outro amigo, o escritor Ronaldo Werneck (que escreve minúcias sociológicas e antropológicas de Copacabana), já publicou um livro fascinante sobre o funcionamento do bairro mais eclético do Rio de Janeiro. Os detalhes da noite, das mulheres, das loucuras e do despojamentos humanos, são bem traçados em uma linguagem clara e bem construída.

O escritor Ronaldo Werneck, hoje um dos maiores nomes da literatura brasileira [atualmente ele reside em Cataguases], me enviou o seu livro “Noite Americana – Dori: Day By Night”. Ronaldo faz parte de um seleto grupo de escritores brasileiros, intelectualmente sofisticados, que alimenta com idéias brilhantes o nosso tumultuado cotidiano.

Ao folhear o livro me deparei com o poema Copacabana. Isso, a bela Copacabana das várias facetas existenciais que ele conhece bem. Só quem viveu com intensidade neste bairro entende o que Werneck diz, pois desvendar esse lugar não é apenas passar os olhos nas suas superficialidades. É um mundo que exige ser explorado com coragem e determinação. Cutucar seus nervos, conhecer suas figuras ilustres, leva tempo. É um espaço geográfico configurado para ser múltiplo. Obviamente há exigências metafísicas para poder se aprofundar nas suas entranhas.


Mas o Rio de Janeiro não é só Copacabana. É muito mais. Neste momento penso em outro escritor, que tive a oportunidade de conhecer pela sua sensibilidade artística de compreender o ser humano com profundidade. Trata-se do escritor  Hélio de Almeida Fernandes. Seu trabalho literário é muito legal, bem elaborado e consegue apresentar resultados incríveis (dentro de um cenário carioca).Há muito o que se falar do Rio de Janeiro… Mas, por enquanto, fico aqui na torcida para ver se ele consegue ser patrimônio da humanidade.

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domingo, 22 de abril de 2012

O ser e suas demandas na evolução humana


www.luizpenna43.wordpress.com




No livro a Era dos Extremos, Eric Hobsbawn apontou como o século XX aniquilou pessoas em nome de uma “razão” grotesca, conhecida como política do “desenvolvimento” econômico. Tudo em nome do “progresso”. No século 21, os modelos de violência são os mesmos. De um lado temos alguns países investindo em novas logísticas e táticas de “defesa”, comprando armas cada vez mais sofisticas para eliminar seus inimigos.
Na cabeça desses republicanos e democratas, o pragmatismo é: dane-se que esses inimigos sejam crianças, mulheres grávidas, adolescentes e jovens mulçumanos. O que está em jogo é a imposição de uma “democracia” (mentirosa) para trazer a paz ao mundo. Do um outro lado, temos o Brasil (e dezenas de países subdesenvolvidos) onde o principal problema continua sendo a falta de acesso a informação. Cada um se vira como pode. Se tudo é “bom”, no lado sul, para que me preocupar com o que acontece no nordeste ou norte. “Eles estão lá, que se virem…”
O mesmo raciocínio acontece no sudeste. “Para que me preocupar se as milicias estão destruindo valores humanos importantes no Rio de Janeiro, se isso não acontece aqui em Minas Gerais?”, dizem alguns. Essa ausência de ética, por parte do nosso modelo contemporâneo, é que afeta a existência. Como é possível uma juíza ser ameaça de morte pelo próprio sistema, ao qual ela pertence?
É o caso da juíza Fabíola Michele Muniz Mendes de Moura, em Pernambuco. Todos sabemos o caso da juíza de Niterói, Patrícia Acioli, que foi assassinada (a mando de pessoas ligadas a polícia militar) fazendo grande parte dos cidadãos a temer quanto ao funcionamento da segurança pública (mesmo com toda a publicidade apresentada de “mudança” com a criação da Unidades de Polícia Pacificadora – UPPs).
Esse é um tema complexo, extremamente delicado, que por hora temos a única conclusão porque ele acontece: falta de educação, investimentos em saneamento básico e acesso a cultura, são alguns dos motivos por haver tantos comportamentos hostis.
Segundo o mapa da violência, de 2010, do Instituto Sangari, a taxa de homicídios no estado do Rio de Janeiro é de 26,2 por grupo de 100 mil habitantes, e a de jovens de 15 a 24 anos é de 52,5 homicídios. Quando o segmento é jovem + negro, o índice salta para perto de 80 homicídios. A Organização das Nações Unidas considera aceitável apenas taxas de menos de 10 homicídios para cada 100 mil habitantes.
No Japão, a taxa de homicídios é de menos de 1 morto para cada 100 mil habitantes. Em clima de início de eleições, quando se começa a observar o que se poderá fazer no futuro, seria interessante se todos começassem a pensar com mais clareza, o que queremos construir (de fato) para as próximas gerações? Ou ela terá características idênticas ao da ficção do Admirável Mundo Novo, escrita por Aldous Huxley (que divide os “civilizados” condicionados dos “selvagens” em busca de caminhos mais lúdicos). É um romance de idéias, onde as questões relacionadas ao funcionamento do totalitarismo de ideologias de esquerda e de direita, apresenta uma dúvida: qual é o melhor caminho para convivermos bem na humanidade? Alguém tem uma resposta?





quarta-feira, 11 de agosto de 2010

COPASA, AGROTÓXICOS E O LIXO




A Copasa e muitas dúvidas

Hoje em Barbacena nós temos questões ambientais muito sérias e tratadas com descaso. Uma delas se refere à Copasa. E eu não estou discutindo aqui se ela tem que ficar ou sair da cidade. A questão é que a Copasa veio para cá, tendo com uma das promessas construir uma moderna Estação de Tratamento de Esgoto, com capacidade para todo o esgoto dos 20 bairros onde ela atua. Três anos já se passaram e até hoje nada.

Hoje a Copasa praticamente tem o controle de toda a água de Minas Gerais. E eu pergunto aqui, esta empresa fez alguma coisa pra proteger as nascentes aqui da nossa cidade, ou dos outros municípios onde atua? Ela faz sistematicamente um trabalho de conscientização das populações ribeirinhas ou dentro das escolas municipais da cidade? Sinceramente, eu não vejo nada disso nem em Barbacena, nem em Antônio Carlos, ou Santos Dumont, por exemplo.

Agrotóxico um problema ambiental
Outro ponto alarmante na nossa região é o uso indiscriminado de agrotóxicos nas nossas plantações. O excesso de agrotóxico deixou de ser há muito tempo um problema de conscientização do uso e de armazenamento e passou a ser considerado um sério problema de saúde pública. Um estudo feito em 2008, aponta as cidade de Carandaí e Barbacena foram as cidades que registraram os maiores índices de intoxicação nos trabalhadores rurais de todo o Brasil. Isto é muito grave pra nossa região! Existem ainda estudos que comprovam que o índice de suicídios aqui na nossa região, tem aumentado, e está diretamente ligado ao uso de agrotóxicos. Minas Gerais é hoje um dos estados que mais consome agrotóxicos.

O lixo nosso de cada dia
Outro problema gravíssimo que Barbacena enfrenta é quanto a destinação do nosso lixo. Temos hoje aqui o chamado Aterro Controlado, que não é nada menos do que um tipo de lixão reformado. Um aterro controlado até torna o local de destinação de resíduos um empreendimento adequado à legislação, porém, continua sendo inadequado do ponto de vista ambiental, já que contamina o solo e o lençol freático. Esse tipo de aterro não pratica medidas para combate à poluição, uma vez que não recebe camada impermeabilizante ideal antes de depositar o lixo, também não trata integralmente o chorume e os gases que emanam da decomposição do lixo. Precisamos de fazer valer a legislação, para que ela puna realmente os assassinos da natureza.

Pós-pandemia: um futuro de humanos/máquinas

  Francis Bacon.  Figura com carne O  início desta década de 20 está marcado pela complexidade da dissensão ontológica. Isto é bom ou ruim?...