quinta-feira, 18 de junho de 2015

Sinais conscientes de uma mente brilhante

 
 

 
 
O poeta mexicano Octavio Paz (1914-1998) foi uma das mentes mais lúcidas que tivemos. Diplomata, ensaísta, tradutor e premiado com o Nobel de Literatura em 1990, ele construiu uma linguagem própria e extremamente eficiente do ponto de vista prático. Seus textos eram concisos e objetivos.
Paz morou em vários países e era amigo de grandes intelectuais do século 20, entre eles o surrealista André Breton (1896-1966), que t...ambém foi um dos maiores poetas do seu tempo.
Mas os sinais de lucidez de Octavio Paz ultrapassavam as camadas simplórias dos pensamentos medianos. Tanto é que sua obra é amplamente estudada por grandes pesquisadores da linguagem.
É importante frisar que o poeta, em sua reflexões, dizia que o mundo civilizado se encerraria de fato no século 20. Ou seja, o que as gerações do século 21 presenciariam, seriam apenas pequenos fragmentos soltos no espaço.
Nas suas proposições filosóficas, estruturada por elementos poéticos, Octavio Paz nos alerta sobre a barbárie existencial que mergulharíamos. Que não são poucas!!!
Pelo que noto, suas ideias tinham consistência profética.
Percebam isso: O fascismo retornou com força... Degradando a lógica da evolução. Ele, o fascismo, brota feroz como um vírus sem cura. É só observarmos os movimentos do capital global, sendo gerenciado com mão de ferro pelo FMI e Banco Mundial. A equação é a mesma. O domínio, o controle, se define em pequenos grupos.
Outra coisa, a ideia de uma visão realmente ecológica, se transformou num mercado que alimenta as contas bancárias de falsos ambientalistas. Vivemos em uma ilusão de transformação. Quer mais: A dita "nova revolução tecnológica", é excludente... A sua plataforma e recursos são brinquedos para uma multidão de milhares de pessoas, que não conseguem ler um livro.
São tempos que rolam soltos e se perdem velozes no horizonte. Os labirintos são maiores, mais perigosos e cruéis.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

DESASTRE AMBIENTAL


                           

O Brasil vai mal porque sua política em Brasília é completamente desastrosa. Recentemente a Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados rejeitou o projeto que cria uma política nacional para a preservação e uso sustentável do mar territorial (fonte jornal O Globo,13/06/2015).
O relatório, vejam bem, foi rejeitado pelo deputado Alexandre Baldy (PSDB-GO), que nem estudou o tema com profundidade e desconhece por falta de méritos, os graves... problemas ambientais dos oceanos.
Ao que parece esse parlamentar está prestando um desserviço ao futuro do país. Ele é tão ignorante, que no seu parecer disse: "A existência de uma legislação específica para a preservação do bioma marinho poderia impedir atividades pesqueiras e torna-las inviáveis, com a criação de taxa para sua execução."
Será que esse individuo sabe explicar minuciosamente, com argumentos históricos, como se deu a exploração do nosso litoral, com a chegada dos portugueses, até os dias de hoje? Duvido!!!
Se ele soubesse, não cometeria tal equivoco, pois a pescaria região dos Lagos, por exemplo, caiu desastrosamente. Dados apresentados por pesquisadores sérios, mostram o declínio da pesca.
De 1920 a 2015, o quadro é catastrófico. Peixe se encontra somente em alto mar por grandes empresas pesqueiras. Há ainda a contaminação da água, da desertificação dos corais e da poluição lançada pelas vinte cinco mil plataformas de petróleo nos oceanos. Tudo isso causa impactos negativos ao meio ambiente.
É a burrice reinando nas comissões em Brasília. Os seus técnicos são engessados pela doutrina de um sistema corrupto e cruel.
A matéria publicada no jornal O Globo, que cometeu um erro na legenda da fotografia feita por Laura Marques: "Caos no litoral. Praia de Cabo Frio, ambientalistas temem exploração econômica desordenada da costa do país".
A imagem na verdade é das Prainhas do Pontal do Atalaia, em Arraial do Cabo, e não da Praia de Cabo Frio. A ilha de Cabo Frio fica próxima do Pontal.
Isso prova porque o Brasil é tão atrasado em tudo ao eleger pessoas como Alexandre Baldy, um peão, uma marionete que nada contra a corrente de um mundo mais civilizado.
 

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

“N’est pás?”


 
A expressão “N’est pás?”, se transforma em uma reflexão ontológica para que possamos compreender o sentido exato da essência de uma questão, que até hoje anda solta pelo mundo, que é: “Quem é um estadista?”

Desde os tempos áureos de Platão, Sócrates e Aristóteles, que inauguraram proposições na política, na metafísica e em várias áreas do conhecimento, a civilização humana tem a necessidade de resolver essa grande demanda.

Ansiamos para termos de fato estadistas competentes e por méritos. Estamos cansados dos jogos políticos, produzidos por esquemas corruptos, que teimam a se rotular de democráticos.

São nestes momentos que curto fazer valer das referências de Willian Shakespeare, como exemplo de sanidade humana: “Minha coroa está no coração, não na minha cabeça”.

Sabemos que o escritor inglês foi o primeiro a tratar, com propriedades psicanalíticas, as fraturas expostas pelo ser humano, tanto nos quesitos poder político, sexo e subserviência ao sistema. Shakespeare conseguiu apresentar as entranhas perversas daqueles que optam pelo mundo da política, com muita clareza e precisão, e se devaneiam em aptidões rarefeitas da insanidade.  

O mundo do século 21 é uma avacalhação. A pós-modernidade, que faz uma releitura do modelo estético do modernismo, amplia o debate sobre o colapso das grandes narrativas. Como bem analisa o filósofo Jean-François Lyotard, ao explicitar que vivemos uma crise profunda sobre a nossa capacidade de apresentar uma explicação adequada e “objetiva” da realidade (ANDREW EDGGAR, PETER SEDGWICK, 2002).

Atualmente a Europa, que tanto rabiscou novas lógicas para a construção de um estado democrático decaiu e se tornou refém dos tecnocratas. O Oriente Médio, berço da cultura humana, foi destruída. O que existe por lá são estruturas fictícias de modernidade. Os Estados Unidos, por sua vez, mantém um elenco de personagens políticos criados nos laboratórios surrealistas de Harvard.

No Brasil, a nossa infelicidade política e administrativa começou nas transgressões morais dos primeiros republicanos. De Washington Luís até o governo de Dilma Rousseff o que se vê são fórmulas desconectadas com o espirito estadista. A identidade da nossa verdadeira esquerda morreu no período pré-64. O que se desenrolou depois disso foram falácias e falsas conjucturas. Tanto é que não existe um nome em nossa história política, que possamos definir como estadista.

Sendo assim, a questão “N’est pás?”, fica sem resposta. Aliás, estamos longe para encontrá-la. Mal sinal.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Nada de Novo



 
 
O ministro da Fazenda Joaquim Levy é no momento a figura pop do governo Dilma. Vários setores da economia nacional e internacional têm aplaudido as suas opiniões e o seu temperamento tecnocrático. Suas falas e o seu comportamento, com todo um gestual polidamente acadêmico, demonstram solidez nos argumentos apresentados, mas, mesmo com tantos elogios mediáticos, até agora a “nova” dinastia da pasta mais cobiçada da esplanada dos poderes, não sinalizou reformas consistentes no plano social.

Lobos famintos desse capitalismo selvagem, representados por banqueiros e empresários, vibram com as novas expectativas lançadas pelo atual comandante dos cofres públicos e regulador das finanças do estado. Somente eles, pois na geral ninguém sabe exatamente o sentido dos discursos do novo ministro, que tem um tom definitivamente pragmático e conservador. Nada utilitarista.

O governo, nos bastidores, mantém com pulso firme o submundo das suas relações entre aqueles que tem a chave do caixa dois. Toda a estrutura projetada para ludibriar a Polícia Federal e o sistema judiciário estão presentes. Não podemos nos esquecer que as máximas aplicadas ao longo dos anos pelos tucanos e petistas é, na sua essência, Gramsciana. E Joaquim Levy, não saíra do trilho. Suas dinâmicas de ações são ordenadas por um grupo fechado. Ele recebe a mensagem e as concretiza. Para qual finalidade? Uma delas, fortalecer Lula para 2018.

Com toda certeza, Aécio Neves vai querer ser candidato. É novo e tem energia. Mas conseguirá segurar a onda sem ter o domínio da máquina do seu estado? Sua voz e do seu príncipe Antonio Anastasia serão ouvidas por uma pequena fatia da classe média. Não terão potência para criar um cenário promissor. Vão nadar contra a corrente. Farão história? Possivelmente, mas será muito barulho por nada.

Voltando ao ministro da Fazenda Joaquim Levy, sua missão será acalmar os nervos do mercado interno, estabelecer diretrizes para confrontar os economistas de oposição e, acima de tudo, projetar um quadro que favoreça o seu chefe maior, que é Lula. Portanto, nada de novo em 2015.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Estagnação Mental

 
 
 
 
 
 
 
A ignorância política existe quando as ideais se fundamentam em uma única verdade partidária. Esse é um dos maiores problemas dos países convergentes, no caso o Brasil, que perdem parte do seu tempo em disputas que não tem qualquer conexão com questões realmente relevantes. Tudo muito paroquial.
 
O fato é que a oposição é uma fábula. Uma farsa!!! Sinto vergonha ao olhar o cantor Lobão ao lado de Ronaldo Caído protestando contra o governo; também fico incomodado, ao ver intelectuais floreando palavras a favor de Dilma Rousseff. Na outra via, percebo uma completa ausência de argumentos, por parte do grupo de Aécio Neves, para traçar uma linha de raciocínio bem elaborada capaz de criar um contraponto eficiente.
 
Estagnação econômica, falta de uma logística para a distribuição de renda, queda na qualidade de ensino e aumento do desemprego, são os fantasmas que rondarão o ano de 2015. Não há perspectivas. Se elas existem, talvez estejam voltadas para o fortalecimento da estrutura do estado, para que ele tenha mais domínio econômico e político. Fora isso, nada de novo!!! Quando vi a foto dos novos ministros me deu náuseas. Aí eu pensei: "Será que estou vivendo um terrível pesadelo?"
 
Ao constatar que meu corpo definitivamente está preso em uma engrenagem porca e insuficientemente medíocre, incapaz de mudar os rumos da história, fico mais indignado ao saber que nos bastidores, os partidos começam a esquentar suas máquinas para arquitetar uma nova geopolítica na federação com as eleições municipais de 2016. Pode!? Os comentários é que o PMDB, insatisfeito com o governo pela baixa de seus representantes em cargos estratégicos, sairá em campo para ter o maior número de prefeituras. E os projetos voltados ao crescimento, a evolução do estado e do legislativo? São varridos para debaixo do tapete. 
 
Assistimos indefesos o crescimento do número de pessoas que não tem interesses por livros, por história, por pesquisa ou por assuntos comprometidos com mudanças. De fato o ano que começa é extremamente maçante e superficial. Alguém pensa ao contrário?

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Quid sir deus e outras questões


 
 
 
Quid sir deus. Afinal o que é Deus? Uma pergunta que definitivamente não tem solução. Mesmo que teólogos arquitetem fórmulas de uma existência divina ou mecanismos enigmáticos sobre a presença de um ser onipotente, com comando na estrutura cósmica, ainda estamos muito aquém da possibilidade de sabermos exatamente, em uma máxima compreensão intelectual, alguma verdade sobre esse assunto.

Por vários séculos esse processo tecnicista foi milimetricamente pensado dentro de um modelo cartesiano, se estabelecendo como controlador das sensações humanas. Assim, foram se formando fragmentos civilizatórios, impulsionados por um fundamentalismo cristão que se ampara em belos efeitos estéticos na sua linguagem mitológica e, que, obviamente se tornou um simulacro comercial, até mesmo no campo das ciências exatas.

O que mais assusta é como o poder político e econômico se apropriou disso na corrente do tempo, formatando um domínio vertical na sua lógica de controle. Lembremos: o mundo Ocidental destruiu grande parte da cultura Oriental. Produziu guerras, massacrou famílias tradicionais e queimou bibliotecas para deter, com força, o acúmulo milenar de um rico conhecimento muito superior aos dos cristãos. Nesta perversa carnificina a humanidade foi se adaptando aos enredos impostos. E, sobretudo, mentindo para si mesma sobre o que realmente importa para as suas vidas.

No meio desta curvatura histórica encontramos a filosofia que gerou a ciência de como se pensar a política. Só que até agora, passando pela revolução francesa, americana, inglesa e outras tantas que ocorreram por aí, não conseguimos articular um regime que satisfaça o homem por completo. Por que será? Falta algo para incrementar essa inteligência movida pelas negociações de grupos?

Em dado momento da história Platão disse que o político deveria ser versado em poesia, matemática e em metafísica para atuar como legitimo representante do povo; na outra arena, Aristóteles acreditava que para ser político o homem necessitava de habilidades práticas. Bem... Os anos se passaram e ambos podem ter errado... Porque até agora, não conseguimos decifrar qual o valor exato da veracidade de um N’est pás? (Quem é um estadista?). Uma questão para a próxima reflexão.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Somos idiotas?

 
Obra de Iberê Camargo – A Idiota
 
 Vivemos em uma “nova” ordem mundial? A resposta é simples: Não!!! Sem uma perspectiva de inovações humanas nos destruímos todos os dias. Se tivéssemos dado mais atenção ao processo darwinista, talvez a humanidade não estivesse tão embrutecida. O desleixo de cair nas armadilhas da ideologia cristã causou estragos na nossa evolução.

Pois bem, voltando à análise sobre essa "nova" ordem mundial que se apresenta nessa rebuscada realidade, o que posso dizer é que ela é extremamente careta, estranha e sem conteúdo. No Brasil, por exemplo, assistimos a estagnação histórica da política. Os fatos são danosos. Estruturas corruptas anulam o seu crescimento.

A ausência de instituições sérias coloca em risco a nossa liberdade de desenvolvimento coletivo. Com isso ficamos entregues as barbáries de uma hipocrisia insana. Por outro lado, temos a perniciosa falta de uma discussão intelectual sobre o que acontece por aqui. É bom que se diga que a dita classe pensante não existe. A maioria é conivente com o que acontece.

É um drama! Peculiar a nossa estúpida e mesquinha cultura. O aniquilamento de um raciocínio mais amplo criou um ridículo cenário. O estado perdeu sua capacidade de gerir com mais responsabilidade seus recursos econômicos. E seus ideólogos acreditam que são gramscianos. O que diria Paolo Pasolini desse quadro?

Em outra via temos a desmontagem de serviços essenciais ao ser humano. Um deles o acesso à água. Vários rios estão doentes e as matas fragmentadas. E olha que isso já tinha sido comentado no período colonial pelo cientista José Bonifácio Andrada e Silva. Mas como não houve metas logísticas de crescimento pagamos por um preço alto.

Terminamos, por fim, o ano de 2014. Nova equipe econômica, novos nomes para compor os ministérios... E daí. Quais serão os resultados? Com as recentes denúncias sobre o esquema da Petrobrás veremos que o caldo vai engrossar ainda mais. Saudades de uma era repleta de ideias revigorantes apresentadas por Habermas, Marcuse, Rawls e tantos outros que enriqueceram um século que ficou apenas em lembranças.
                       

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Perda da racionalidade


 
Estamos nos aproximando de 2015. A sensação que eu tenho é que o mundo não passará por grandes transformações. Tudo estará focado, mais uma vez, em agendas conservadoras e excludentes. Não é novidade para ninguém que vivemos enclausurados em novas fórmulas autoritárias de domínio. Recuamos a invés de avançarmos.

No Brasil, por exemplo, o governo paga caro para adquirir o know-how bélico e estratégico de Israel. O país investe em pesquisa militar e na compra de modelos de segurança, mas não resolve o problema de saneamento básico e do meio ambiente. A perversidade econômica, com suas práticas liberais, estrangula qualquer mudança com viés humanista.

Sabe-se que os países, detentores do poder geopolítico, não fazem mais guerras convencionais. Isso não dá mais voto! O que está em jogo é a eficiência para eliminar os inimigos silenciosamente, ou seja, por vias tecnológicas e por estruturas prisionais sofisticadas construídas em áreas distantes do olhar da sociedade.

O maior problema de tudo isso é que todos mentem. A conivência existe em todos os planos da sociedade. Alastra-se como vírus, eliminando valores e identidades culturais. Apesar dos arranjos performáticos pensados pela mídia, para ganhar bônus em visibilidade, tudo está pulverizado em enredos virtuais. O real perde sua dinâmica em um mundo rarefeito.

Todos os discursos são baseados em linhas milimetricamente articulados para enganar o cidadão comum. Na esfera das decisões o que se vê na prática é uma engenharia montada para servir canibais mercantilistas, especuladores de uma ordem econômica destrutiva, com aval de países que comungam com os interesses dos Estados Unidos.

Uma engenharia colaborativa feita para governos ditos oficiais e paralelos. Assim assistimos, paralisados em nossas dimensões fechadas, a destruição do planeta. E os cientistas? Bem, esses continuam a comer na mão dos piratas do capital. A maioria das pesquisas é feitas, única e exclusivamente, a favor de um sistema de comando. Já o sistema dos seres vivos... Não parece ser uma prioridade racional.

domingo, 16 de novembro de 2014

Virada de página

                                       
Imagem de Oswaldo Goeldi 

 O capitalismo está em desconstrução? Estamos às portas de um longo espectro autoritário global? Uma pequena parcela da humanidade continuará a comandar os processos econômicos no mundo? Bem... São questões que nos fazem pensar se a representatividade governamental tem algum valor neste estranho cenário.

Na opinião do sociólogo alemão Wolfgang Streeck, diretor do Instituto Max Planck para o Estudo das Sociedades, vivemos em um grande dilema se o capitalismo terá o seu fim ou se manterá como está, aberto para as alucinantes ideias de uma conjuntura neoliberal?

“Mais do que em qualquer momento desde o fim da Segunda Guerra Mundial, há hoje em dia um sentimento generalizado de que o capitalismo está em estado crítico”, escreveu Streeck para a revista New Left Review, artigo também publicado pela revista Piauí.

Neste emaranhado e perverso enredo, o que podemos esperar desses modelos tecnocráticos? Creio que nada!!! Numa linha Nietzschiana de que deus está morto, também sinto que definitivamente todas as ideologias foram enterradas. Para sempre!!!

Sem luz no fundo do túnel? Não serei tão pessimista. O que eu disse até agora é que os modelos acima apresentados se encerram por absoluta falta de consistência. No momento prefiro o raciocínio do professor de Sociologia na Sorbonne, Michel Maffesoli, diretor do Centro de Estudos sobre o Imaginário. “Nossa época vive uma mudança de paradigma, de mudança de sistema de valores”, disse ele em entrevista ao jornal O Globo, dia 8/11.

Com a chegada do Natal e Final de Ano há uma total preguiça para se praticar qualquer mudança. Somente em 2015, depois do Carnaval, vivenciaremos as insatisfações populares brotarem vivas pelas redes sociais e pelas ruas. Veremos o que irá acontecer... Mas no geral, tudo não passa de esboços programados por setores políticos. Simulacros de ações criados com falsas ideias de resistência. Sinto falta da releitura de Michel Foucault.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Somos frágeis

 

 




Existe algum segredo guardado a sete chaves por traz da existência? Creio que não!!! Não há sobrenatural, fantasmas, espíritos, deuses, anjos, inferno, céu ou outras idiossincrasias criadas pelo homem que esclareça a funcionalidade real da existência. Tudo não passa de estruturas imaginárias que se alimentam de carências afetivas, de fragilidades mentais e de distorções conceituais.

O que temos é um cenário que, na sua vasta extensão cósmica, segue frenético e inatingível nos seus múltiplos efeitos estéticos, sem prestar muita atenção no precário mundo humano e nas suas insuficiências de linguagem como diria Wittgenstein. Não somos capazes de influir em qualquer mudança. Estamos presos e acorrentados em um sistema sensorial danificado e corruptível. Tanto no emocional quanto nas relações coletivas o que presenciamos são alucinações conflitantes, aberrações surgidas da incapacidade de construirmos uma civilização autêntica.

O formato que temos é medíocre. O modelo científico e educacional é uma farsa. Os países considerados como potências econômicas impõem com rigor militar o funcionamento do planeta. As questões de soberania nacional não existem. O que temos são representações de comandos bélicos dominantes voltados para interesses nada poéticos. O romantismo de uma esquerda surgida entres os séculos 19 e 20 fracassaram.

No momento vivenciamos o surgimento de uma delicada operação dos donos do império que definem como muita precisão o controle dos recursos naturais. São empresas transnacionais que atuam longe dos holofotes da mídia e usam as estruturas governamentais e não governamentais para esboçarem os seus arranjos. Perverso? Claro que sim!

Enquanto isto flui em ritmo galopante pelos quatro quantos do planeta, assistimos indefesos grandes corporações adquirindo o controle da água no Brasil. Constituição? Poder Judiciário? Congresso Nacional? Mídia convencional? Servem para quê? Para nada!! É uma ficção acharmos que estamos amparados pela lei e por vozes do além. Falta-nos o equilíbrio de compreendermos qual é a importância do conhecimento estético em nossas vidas. Digamos... Um pensamento mais profundo ensinado por Maurice Merleau-Ponty, sobre o sentido da observação. Bem, aí é uma outra história.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

As singularidas de Gabriella Andrada


 
 
Quem conheceu Maria Gabriella de Andrada Serpa (1919-2014) sabe exatamente qual foi a dimensão humana dessa escritora, memorialista e ambientalista, que durante muitos anos deu vigor estético na preservação de uma das áreas mais importantes de Minas Gerais, que é a Fazenda da Borda do Campo, no município de Antonio Carlos.

Suas atitudes e ideias marcaram várias gerações e, certamente, continuarão a ser referência para as próximas. Espírito lúcido, mentalmente suave e honesto com os valores de uma coexistência gentil, essa mulher se tornou um exemplo de transparência, na mais profunda concepção do termo.

Viveu os seus 95 anos de bem com o mundo e sabia decifrar como ninguém os conceitos chaves que regem a humanidade. O seu conhecimento era profundo. Distinguia com excelentes análises todas as representações ideológicas com sabedoria, e, ao mesmo tempo, praticava uma dialética que estabelecia um contraponto bem articulado e preciso sobre determinada questão. Seu raciocínio era rápido e eficaz. Afinal, ela conviveu ao lado de grandes mentalidades.

Possuía uma visão crítica dos jargões linguísticos e dos seus excessos caricaturais, confrontando-os com um pensamento estruturado em dinâmicas que seguiam o rigor da pesquisa histórica e sociológica, de uma maneira bastante didática. Aliás, a maior parte de sua vida, Gabriella Andrada esteve envolvida com os assuntos relacionados à educação.

Fez graduação em Letras em uma época que o acesso feminino ao ensino superior era raro. Ela teve a oportunidade de ser uma autêntica observadora de muitos acontecimentos, que surgiam frenéticos ao longo do século 20. Presenciou o desabrochar da ciência, o desenvolvimento efervescente da arte moderna e, principalmente, teve a oportunidade de ver de perto fatos curiosos da política nacional.

Assídua leitora dos clássicos da literatura e da filosofia, mesmo tendo influência cosmopolita, não abriu mão das suas origens interioranas e da holística do catolicismo barroco, preferindo se guardar de corpo e alma no lugar que serviu de base para a construção de sua personalidade e a presenteou com novas singularidades, que é a Fazenda da Borda do Campo. Foi neste cenário, localizado no alto da Serra da Mantiqueira, entre os sons encantadores dos pássaros, dos movimentos sutis do vento e de uma extensa biodiversidade na sua fauna e flora, que Gabriela passava o seus dias escrevendo e refletindo.

Eu tive a oportunidade de entrevistá-la quatro vezes. O primeiro encontro ocorreu na primavera de 2001. Foi em uma tarde em que a luminosidade criava uma atmosfera impressionante; e, graças ao ecossistema que cerca todo aquele espaço, foi um dia extremamente revigorante. Falamos de culinária mineira, de presidencialismo, de parlamentarismo, de monarquismo e, sobretudo, de literatura.

Naquela época, a sua irmã Narcisa Andrada estava entre nós. As duas eram inseparáveis e cuidavam como muito zelo na preservação do patrimônio arquitetônico e ambiental da Borda do Campo. Depois me encontrei com Gabriella Andrada em 2002, 2008 e 2009. Todas as entrevistas foram marcantes, pois me deram a chave para compreender como se deu a formação humana e cultural na região, a partir da fundação da Borda do Campo.

Na última entrevista, a memorialista me recebeu em seu escritório. Sentada em sua escrivaninha que pertenceu a Pedro Nava, um presente de sua prima que era casada com o escritor mineiro, ela me contou detalhes sobre os livros que há na fazenda, a origem das pinturas expostas nas paredes, o dia a dia na cozinha, a vida entre a família e muitos outros assuntos interessantes.

O que eu achava bacana é que Gabriella Andrada me escrevia constantemente. Sempre muito cordial e atenta aos temas contemporâneos, sugeria matérias para serem publicadas no Jornal Correio da Serra. Assim como muitas outras pessoas, sentirei saudades de sua presença que nos contagiava com o seu entusiasmo e afeição. Em tempo, também sentirei falta dos livros que ela me presenteava.www.cenadois.blogspot.com

Pós-pandemia: um futuro de humanos/máquinas

  Francis Bacon.  Figura com carne O  início desta década de 20 está marcado pela complexidade da dissensão ontológica. Isto é bom ou ruim?...